(Adobe Stock) O burnout continua sendo uma das síndromes mais impactantes da atualidade. Em 2025, o Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de casos, afetando cerca de 30% da população economicamente ativa, segundo a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt). Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde como uma condição relacionada ao trabalho, a síndrome vai muito além do cansaço — ela compromete o sono, o humor, a imunidade e, muitas vezes, a forma como nos enxergamos no espelho. Sim, o rosto fala. E fala muito. Vejo isso todos os dias no consultório. Olheiras profundas, sulcos marcados, tensão muscular, pele sensibilizada, expressão abatida. O que poderia parecer apenas uma “queixa estética” revela, com frequência, um corpo em estado de alerta. O estresse crônico ativa o cortisol, que desencadeia inflamações silenciosas, interfere na recuperação da pele e impede o relaxamento dos músculos faciais. O resultado é um semblante de exaustão permanente — mesmo em quem tenta descansar. Como cirurgiã-dentista especializada em harmonização orofacial, acredito que a estética pode ser uma aliada valiosa nesse processo de resgate emocional. Não se trata de mascarar o sofrimento, mas de oferecer um caminho suave de reconexão. Ao devolver ao rosto uma expressão mais leve, natural e descansada, ajudamos a paciente a se reencontrar no espelho — e isso é, muitas vezes, o ponto de partida para outras mudanças: dormir melhor, se alimentar com mais atenção, recuperar o prazer de cuidar de si. Entre os recursos, temos toxina botulínica para aliviar a tensão, bioestimuladores que restauram a firmeza da pele, protocolos que melhoram a qualidade cutânea e orientações personalizadas de bem-estar. Tudo isso com respeito à individualidade, ao tempo de cada corpo — e com muita escuta. A estética, quando bem conduzida, não é vaidade. É cuidado. É pausa. É também uma forma de resistência num mundo que insiste em nos manter em estado de esgotamento. *Erika Kugler. Cirirgiã-dentista especialista em harmonização orofacial