(Imagem Ilustrativa/ FreePik) Referência em Análise Prospectiva, o norte-americano Alvin Toffler não gostava de ser apontado como futurista. Estudioso na construção de cenários futuros possíveis, prováveis e desejáveis aceitava, no auge de sua produção literária, a ideia de que o porvir não é algo determinado, mas um campo de incertezas portador de oportunidades e ameaças. Em sua obra “Aprendendo para o Futuro”, logo nas primeiras páginas, conta a história de uma tribo indígena que segue adaptada, durante décadas, em métodos tradicionais de sobrevivência. Vive tranquilamente ao lado do afluente de um grande rio, com a certeza de que o passado funcionará no futuro e desta premissa opera todo o sistema educacional da tribo. Os indígenas não sabem, no entanto, que rio acima, há homens construindo uma enorme barragem. Em pouco tempo, o rio, motivo da sobrevivência desta tribo, vai secar. O amanhã não será uma cópia do presente e nem do passado e, segundo Toffler, “A falsa imagem do futuro destruirá todo esforço educacional”. Estas são as nossas condições no momento: ou estamos como barrageiros, “construindo barragens” e aniquilando culturas ao redor, ou estamos na condição dos indígenas ameaçados por mudanças severas feitas “rio acima”. Neste contexto, duas importantes mudanças estão em curso com impactos potenciais, positivos ou negativos, em nossas vidas: o enfrentamento da crise climática, cuja abordagem adotada não está se mostrando efetiva (os resultados da COP 30, em Belém, ficaram aquém do esperado) e os emergentes avanços da Inteligência Artificial, ainda em fase de desenvolvimento (os resultados preliminares mostram as big techs disputando a hegemonia nesta área). Os sinais de ameaças e oportunidades são evidentes. Neste sentido, os sistemas de Educação precisam, o quanto antes, acelerar processos de modernização, não somente para incorporar o chamado letramento tecnológico com o bom uso da IA, mas inserir funções cognitivas essenciais aos processos de ensino e aprendizagem de maneira que, elevando os níveis de conscientização, possam, localmente, enfrentar as crises emergentes: climáticas, sociais, políticas, econômicas.... enfim: as chamadas policrises que se sobrepõem e, assim, são potencializadas. Todo este conjunto de mudanças revolucionárias obriga à reinvenção de um novo modelo de educação. Um novo modelo construído para desenvolver nas gerações emergentes as habilidades da vida e a postura antecipatória (feedforward). Quanto à postura antecipatória, é urgente buscar um modelo de educação que capacite o jovem a pensar o futuro de forma sistemática, nestes tempos de altas taxas de mudanças. Para Alvin Toffler: “Mudança é o processo no qual o futuro invade as nossas vidas”. *Alfredo Cordella. Professor da Unisanta