(Adobe Stock) A descarbonização dos sistemas alimentares representa uma das maiores oportunidades do nosso tempo, e reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE) não exige abrir mão de produtividade ou renda. Os caminhos mais eficazes para tornar a produção de alimentos mais sustentável são os mesmos que geram ganhos de eficiência, maior inclusão de produtores e segurança alimentar. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostram que intervenções que elevam a produtividade, o manejo adequado de pastagens, a melhoria genética dos rebanhos, a saúde animal e a nutrição são as mais eficazes para reduzir a intensidade de emissões da produção de alimentos de origem animal. Esse entendimento resulta da análise de centenas de estudos revisados por pares, abrangendo leite, carne bovina, suína, aves e ovos em diversas regiões do mundo. A janela estratégica da transformação dos sistemas alimentares deve ser impulsionada pela convergência entre desempenho econômico, sustentabilidade ambiental e impacto social. A perda e o desperdício de recursos, energia e insumos não são apenas questões ambientais. São ineficiências produtivas e combatê-las significa criar valor. Essa visão também responde a um desafio inadiável: mais de 800 milhões de pessoas enfrentam fome no mundo, e cerca de 67% da população mundial em situação de pobreza alimentar vive em áreas rurais. Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), indica que o Brasil pode reduzir drasticamente as emissões por quilo de carne produzida sem diminuir a produção. A pesquisa mostra ser possível ampliar a oferta de proteína e reduzir as emissões em até 92% com estratégias de intensificação sustentável. Outro levantamento, supervisionado pelo professor Eduardo Assad, do Observatório de Conhecimento e Inovação em Bioeconomia da FGV, com o Instituto Inttegra, analisou 103 fazendas fornecedoras da Friboi em 12 estados. O resultado revela que as mais eficientes emitem 46% menos GEE por tonelada de carcaça, e que 31% delas removem mais carbono da atmosfera do que emitem. Ferramentas e dados já estão disponíveis. A transição para uma produção de alimentos de baixo carbono é uma oportunidade econômica, ambiental e humana. Com melhor uso dos recursos, poderemos alimentar o mundo e cuidar do planeta. O momento de agir é agora, e a oportunidade, gigantesca. *Gilberto Tomazoni. CEO Global da JBS.