(Marcello Casal Jr/Agência Brasil) Assisti a uma palestra do cardiologista Philipe Saccab, cujo tema foi saúde e qualidade de vida. Poderia ser mais do mesmo e facilmente desandar num déjà vu enfadonho. Mas não! Ela foi num crescendo, gerando silêncios absolutos, entreolhares, sorrisos amarelos e expressões de surpresa ou admiração. Sua apresentação começou com a definição de saúde feita pela OMS em 1948: “Um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças ou enfermidades”. O bem-estar, nesses três pilares, foi assim caracterizado: físico (refere-se ao bom funcionamento do organismo, sem patologias ou disfunções fisiológicas), mental (engloba a saúde emocional e psicológica, incluindo a capacidade de gerir o estresse e a ansiedade) e social (abrange as relações interpessoais e o equilíbrio do indivíduo no seu ambiente social, com qualidade de vida e interação com os outros). Um dos pontos mais relevantes da palestra foi quando ele alertou para os riscos do uso de celulares por crianças, que potencializaria doenças antigas, como a miopia, e certos transtornos, cada vez mais comuns e crescentes, na atualidade. As duas últimas definições, extrapoladas para uma sociedade, explicam muitas das doenças individuais e coletivas existentes no mundo, que interesses escusos querem crônicas, mentais e sociais, que geram enfermidades físicas, inclusive somatizadas. Para alcançar saúde nos tempos modernos, Philipe propôs a seguinte receita: prevenção cardiovascular, cerca de 150 minutos por semana de atividades físicas, alimentação inteligente, saúde mental e sono reparador, abandono do tabagismo, acompanhamento médico regular e tratamento da obesidade como doença. Seguramente, existem outros hábitos e vícios a serem abandonados ou evitados. A lista seria bem extensa, aliás. Mas cabe a cada um de nós inferir ou consultar sobre cada caso. Ele prosseguiu, relacionando os exames preventivos a serem feitos, considerando cada faixa etária e os riscos a elas associados. Concluiu sua brilhante exposição destacando que o futuro da Medicina inclui teleconsultas, relógios inteligentes, monitores de glicemia e estudo genético. No entanto, enfatizou que a tecnologia jamais substituirá os bons hábitos, e que relações sociais mais fortes, familiares e de amizades, e atuar em prol da sociedade, em projetos sociais, tendem a aumentar a longevidade. A apresentação foi no Rotary Club de Santos-Noroeste, em 19 de setembro, que contou com a presença de outros seis clubes e teve tudo a ver com o mote da atual gestão: “Unidos para fazer o bem”. Que esse bem, pessoal e coletivo, seja cada vez mais presente em nossas vidas e na sociedade, auxiliando na prevenção ou cura de todos os males, físicos, mentais e sociais! *Adilson Luiz Gonçalves. Escritor, engenheiro, pesquisador universitário e membro da Academia Santista de Letras