Singapura (getty images) Há motivos de sobra para acreditar no Projeto Futuro de Singapura. A cidade-estado é um dos casos mais fascinantes de transformação nacional, no último século. Converteu a crônica falta de recursos naturais em uma das economias mais prósperas do mundo. Após uma breve e conturbada união com a Malásia, Singapura tornou-se independente em 1965 e muitos duvidavam que o país sobreviveria sozinho, sem água potável, recursos naturais e péssimos indicadores sociais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Sob a liderança de Lee Kuan Yew, o primeiro-ministro fundador e visionário, Singapura adotou um modelo peculiar de capitalismo em que o Estado assume o papel de indutor do desenvolvimento. O Projeto Futuro, na época da “independência imposta”, deu prioridade a quatro eixos. Educação: o país tem um dos sistemas de ensino mais bem-sucedidos do mundo. Infraestrutura: o Porto de Singapura e o Aeroporto de Changi estão entre os melhores e mais movimentados. Hub Financeiro: políticas de baixa tributação e corrupção quase zero atraem multinacionais. Cidade-Jardim: investe-se pesado em sustentabilidade urbana, integrando arranha-céus com intensa arborização. Diversos parques estão espalhados por toda cidade. A cidade é perfeita: seja na riqueza arquitetônica das edificações, na diversidade florística e, principalmente, na limpeza: não se vê lixo nas ruas e avenidas, em toda extensão urbana. <CW-23>O esforço humano que construiu esta utopia se explica por dois fatores: uma forte influência de valores confucionistas, como o respeito à autoridade e o foco na coletividade sobre o indivíduo; e a mão forte do Estado, frequentemente usada para descrever o modelo de governança de Singapura. Trata-se de um sistema em que o cidadão troca certas liberdades individuais por segurança, prosperidade e estabilidade. A ideia central é a dissuasão absoluta ao mal feito e ao crime. O Estado monitora o desempenho de seus cidadãos desde cedo através de um sistema socioeducacional altamente competitivo e punitivo: multas, chicotadas e pena de morte são adotadas. Para muitos singapurenses, a mão forte é vista como um mal necessário. Há uma consciência coletiva de que o país não dispõe de recursos naturais suficientes e por esta fragilidade natural a ordem social precisa ser gerida com cautela. Tangidos pela ameaça da escassez, em um mundo que, com certeza, vai enfrentar desafios de sustentabilidade, só resta aos singapurenses investir no esforço e talento humanos para construir um futuro fantástico. Em um próximo artigo, apresentarei o Projeto Futuro de Singapura 2050, com foco em sustentabilidade, infraestrutura e IA. * Alfredo Cordella, professor Unisanta