Hoje, ter qualidade de vida significa, principalmente, ter uma boa saúde mental. Foi na pandemia da Covid que essa discussão se intensificou e virou de fato, uma questão de saúde pública. Mas, muitos dos casos envolvendo transtornos psiquiátricos poderiam ser amenizados ou até mesmo evitados, caso houvesse um bom e constante diálogo, seja no ambiente familiar ou entre círculos sociais do indivíduo. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Abrir-se é de dentro para fora. Cria um espaço seguro, de escuta e de acolhimento. A psiquiatria comprova que o simples ato de falar sobre seus sentimentos, reduz significativamente, a intensidade do sofrimento, favorecendo assim a adesão ao tratamento. O diálogo possibilita que a pessoa reorganize pensamentos, crie conexões e ainda consiga aliviar a sobrecarga mental. Portanto, o silêncio é o maior inimigo. Ele aumenta a sensação de solidão, favorece o isolamento, leva a quadros de ansiedade e depressão mais graves. E tudo isso dificulta a busca por ajuda. Conversar, compartilhar dificuldades e receber apoio pode funcionar como um fator protetor, prevenindo o agravamento de sintomas emocionais e reduzindo riscos de crises muito mais sérias. O não falar pode se transformar em sintomas físicos, trazer queda de desempenho e até risco de suicídio. Claro que cada caso é um caso e que o atendimento psiquiátrico deve ser individualizado. Na maioria das vezes, o tratamento precisa estar atrelado a outras especialidades e fatores relacionados, por exemplo, à saúde física. Para ajudar, o ideal é acolher sem julgamentos, com disponibilidade real para ouvir. A confiança é construída aos poucos, na constância da relação. Enquanto o psiquiatra oferece um espaço técnico e terapêutico, familiares e colegas podem oferecer apoio emocional, empatia e estar sempre presente, sem dar soluções, mas mostrando interesse genuíno. Infelizmente, os problemas psiquiátricos atingem mais aquelas pessoas que escondem o estresse no trabalho, passam por frustrações, além de adolescentes que se dizem sobrecarregados de responsabilidades e até crianças. Adolescentes e idosos costumam ter mais resistência. Os adolescentes pela dificuldade de confiar no adulto, e idosos, por questões culturais ou medo de serem vistos como frágeis e dependentes. Portanto, se você está passando por um problema, converse, dialogue, não tente dar conta de tudo sozinho. Busque acolhimento, procure especialistas. Afinal, sofrer em silêncio pode ser muito nocivo. Você não está sozinho. *Ana Paula Ruocco Nonato Matsumota. Médica psiquiatra que integra a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e com especializações em Dependência Química e Psicogeriatria.