(Reprodução/X) Neste 25 de abril, comemoramos 51 anos da Revolução dos Cravos, levante militar e popular que ocorreu em Portugal, encerrando a ditadura salazarista que dominou o país por mais de 40 anos. Neste momento em que a Europa passa por um processo de direitização é mais que necessário atenção e zelo pela democracia. Assim, o 25 de Abril que nos remete à Revolução dos Cravos que implantou o regime democrático em Portugal é de extrema importância para se refletir as liberdades humanas no decorrer da história. Por esta razão evocamos o grande jurista brasileiro Rui Barbosa para conclamar aos cidadãos o cuidado para com a democracia que não basta ser instalada, conquistada. É preciso que seja mantida. Rui Barbosa disse “O princípio do futuro é a democracia”. A frase não precisa de muita sustentação porque, tomando Portugal como exemplo, os resultados da Revolução dos Cravos que pôs fim à ditadura naquele país, que na realidade começou em 1926, através de golpe provocado por movimentos conservadores iniciando a Ditadura Nacional que durou até 1933, quando António Salazar ascendeu ao poder criando uma nova Constituição, também ditatorial, foram imediatos: a volta dos direitos civis e políticos para a população e o início do processo de descolonização na África e Ásia, além do grande impacto na Cultura. O ‘salazarismo’ conhecido pela forte censura, propaganda nacionalista e repressão aos opositores começou a declinar em 1968, com o afastamento de Salazar do poder devido a um acidente, sendo substituído inicialmente por Américo Pereira e depois por Marcello Caetano. A insatisfação do povo chegou ao auge nos anos 1970 devido à grave crise econômica e pelo desgaste provocado pela Guerra Colonial Portuguesa para manter as colônias portuguesas na África e na Ásia. Essa luta afetava a maioria das famílias lusas. Difícil à época, encontrar uma família que não tivesse um filho, um parente, em sua grande maioria muito jovens retirados de suas casas para combater, matar ou morrer por uma causa que não era deles. Entre os anos de 1961 e 1974, Portugal, na tentativa de manter seu império colonial, inaugurou frentes de combate para impedir a independência desses países. O golpe militar que pôs fim à ditadura e que ficou conhecido por Revolução dos Cravos, é um dos mais importantes acontecimentos da década de 70. Com o poderio militar pronto para uma guerra, restaurou-se a democracia com determinação, planejamento, espírito patriótico e sem luta. Em meio à tensão natural de um conflito, ruas e praças foram tingidas de vermelho, não de sangue, mas de cravos vermelhos distribuídos aos soldados e colocados na ponta das baionetas por iniciativa de uma mulher: Celeste Caeiro que não tendo cigarro para atender ao pedido de um soldado, lhe entregou a flor tirada do ramalhete que carregava nos braços. *Ademir Pestana. Presidente da Sociedade Portuguesa de Beneficência de Santos