(Reprodução/Facebook) Recentemente, embarquei em um daqueles passeios que chamamos de “banho de civilização” — um antídoto para o estresse crônico causado pelo nosso querido e caótico Brasil. Um dos destinos da vez foi Liubliana, capital da Eslovênia, onde passei vários dias observando, refletindo e admirando a organização de um país que, há apenas três décadas, ainda vivia sob as amarras da ditadura comunista da antiga Iugoslávia. Hoje, a Eslovênia é membro da União Europeia, ostenta um IDH respeitável e possui uma economia diversificada, com foco em educação, cultura, tecnologia, indústria e turismo. Já é do clube dos desenvolvidos — enquanto a gente ainda está tentando entender onde foi parar o manual de instruções para poder entrar. Durante minha estadia, uma cena chamou minha atenção e me jogou de volta na arena ideológica global. Em frente a um grande bar LGBT, um banner exibia em letras garrafais: “Israel, pare a guerra!”. Concordo — aliás, quem não concorda? Toda guerra deveria parar. Mas o contexto me deixou intrigado. Israel, vale lembrar, é um dos poucos países do Oriente Médio onde a comunidade LGBT tem liberdade garantida por lei, com direito a paradas, representação política e casamento entre pessoas do mesmo sexo. Já seus inimigos declarados — como o Irã — não apenas criminalizam a homossexualidade como a punem com a morte. Impossível não se perguntar: por que a militância abraça causas cujos protagonistas, ironicamente, perseguem as próprias bandeiras que ela defende? Será que ideologias cegam o senso crítico a ponto de as pessoas passarem a seguir slogans prontos, ignorando os fatos em nome de alinhamentos pré-definidos? É necessário defender minorias? Sim! Mas talvez devamos olhar com mais atenção quais minorias estamos defendendo e contra quem. Afinal, mesmo em tempos de memes e lacrações, a realidade é mais complexa do que as frases de impacto em faixas de protesto. Curiosamente, enquanto o Ocidente se engalfinha em disputas ideológicas, há pelo menos 68 países onde relações entre pessoas do mesmo sexo ainda são consideradas crime. Em alguns, basta amar para ser preso — ou açoitado em plena praça pública. Viajar abre a mente e às vezes, também escancara as contradições do mundo — e nos força a repensar a lógica por trás de certas convicções. Liubliana me deu esse presente. E o Brasil? Bem... a gente vai levando. Entre um meme e outro, quem sabe um dia a gente também se torne “desenvolvido”. *William Horstmann. Engenheiro, ex-executivo e consultor