(Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) Há cidades que nascem com uma missão — e Cubatão, a minha cidade, parece ter vindo ao mundo para provar que recomeços são possíveis. Lembro-me bem da Eco92. Eu era muito jovem e lia as notícias que davam a Cubatão o título de “Cidade Símbolo Mundial de Recuperação Ambiental”. Não entendia o tamanho do título, mas sabia que havia algo de grandioso. O lugar em que nasci, marcado por décadas pelo estigma da poluição, agora inspirava o mundo com seu esforço coletivo por transformação. Vinte anos depois, já jornalista, estive na Rio+20 para cobrir o evento pela Prefeitura Municipal. Lá estava Cubatão novamente, desta vez com espaço próprio, mostrando ao mundo os frutos do trabalho que reconectou natureza e indústria. Percebi nos olhos de quem passava pelo local a surpresa e o respeito. Visitaram o espaço principalmente os estrangeiros que viam nesse ‘case’ de sucesso inspiração para o planeta. Era como se, finalmente, o passado fosse reescrito pela persistência de uma cidade que se recusou a ser lembrada apenas pelos seus erros. Agora, em 2025, outro motivo de orgulho pra mim: Cubatão será o único município paulista a participar de um painel de discussões na COP30, evento máximo da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas. Representar o Estado de São Paulo nesse espaço internacional é mais do que uma conquista política — é o reconhecimento de uma história que começou há muito tempo, quando poucos acreditavam que seria possível transformar um vale industrial em Símbolo de Recuperação do Meio Ambiente. A presença de Cubatão na COP, no Pará, reafirma a força de uma cidade que continua a se reinventar, buscando caminhos sustentáveis: seja desenvolvendo políticas públicas que harmonizam produção e preservação ou trabalhando a justiça climática por meio dos diversos projetos de urbanização de comunidades, beneficiando milhares de famílias... tudo isso inspirando novas gerações a cuidar da sua terra. Para quem cresceu vendo de perto o paredão da Serra do Mar, mesclando o cheiro da mata e o vai e vem das chaminés, é impossível não se emocionar. Como moradora, vejo Cubatão novamente no mapa do Mundo: não como exemplo negativo, mas como prova viva de que mudar é possível, necessário e sempre será um ato de coragem. *Morgana Monteiro é jornalista.