(Reprodução/Pixabay) É fato que me tornei a melhor mãe que pude, dentro da realidade e possibilidades que tenho. Eu acordo cedo, arrumo as coisas da escola, tomo café, o bebê acorda, chora. Minha atenção se volta para ele. Dou banho, chamego, dengo... dengo até dormir. Então, as tarefas voltam. Preparo o almoço, dobro as roupas, e de repente... um espaço na agenda. Será que posso usar esse tempo para mim? Observo um livro, aquele que comecei a ler durante a primeira maternidade e não consegui terminar, engolida pelo turbilhão de tarefas: casa, criança, casamento, trabalho... Mas ele está ali, e eu tenho tempo. Por que não? O que há de errado em usar essa pequena janela de tempo que sobra para fazer algo por mim e tentar me reconectar com a mulher que eu era antes de ser mãe? Mas, ao abrir o livro, me pego pensando: quem era essa mulher? Quais sonhos ela carregava? Que histórias ainda queria escrever? A verdade é que, entre fraldas, lições de casa e rotinas intermináveis, aquela mulher ficou para trás, soterrada pelas prioridades que vieram depois. Ela não desapareceu, mas se transformou. Hoje, ao olhar no espelho, percebo traços dela na minha determinação, no carinho que dou aos meus filhos, na resiliência que eu nem sabia que tinha. Vejo o brilho nos olhos dela cada vez que faço algo por mim, ainda que pequeno – abrir um livro, ouvir uma música ou simplesmente respirar fundo enquanto tomo um café quente. Talvez eu nunca volte a ser exatamente aquela mulher. Talvez isso nem seja o objetivo. A maternidade não me tirou quem eu era, mas me ampliou, me ressignificou. Hoje, sou mais. Mais forte, mais cansada, mais amorosa, mais cheia de histórias. Mas também mais consciente de que ser mãe é apenas uma parte de mim, e não o todo. E é por isso que, mesmo nos dias mais caóticos, prometo me lembrar: quem eu era antes de ser mãe continua aqui, ao meu lado, caminhando comigo nesta jornada. Porque ser mãe é um dos papéis mais lindos da minha vida – mas é apenas um dos muitos que definem quem eu sou. Agnes Batista. Psicóloga e neuropsicóloga, pós-graduada em Análise do Comportamento Aplicada e Desenvolvimento Infantil.