(RS/Fotos Públicas) A recente carta do presidente americano Donald Trump, anunciando uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, é um sinal de alerta para o Brasil, para o setor produtivo e para todas as cidades portuárias que dependem de comércio exterior. O conteúdo da carta mistura retórica política, críticas duras ao sistema judicial brasileiro e uma ameaça econômica direta. Trump deixa claro que pretende usar tarifas como arma para forçar negociações em condições vantajosas para os EUA, algo que fere o espírito de um comércio internacional livre, previsível e mutuamente benéfico. Mas não podemos analisar essa situação sem reconhecer as fragilidades de nossa própria diplomacia. O Brasil tem mantido uma política externa pouco profissional, marcada por preferências ideológicas e alinhamentos que não protegem os interesses de quem produz, exporta e gera emprego. Em vez de diálogos construtivos, acumulamos tensões desnecessárias com parceiros estratégicos, criando um ambiente propício para esse tipo de retaliação unilateral. Cidades portuárias, que vivem da importação e exportação, são especialmente vulneráveis a esse tipo de medida. Uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros significa menos navios atracando, menor movimentação de contêineres, menos carga para operadores portuários, menos trabalho para motoristas, despachantes aduaneiros e toda a cadeia logística. O impacto é real e imediato para quem vive do comércio exterior. O Brasil também precisa fazer sua autocrítica. Por décadas, mantivemos tarifas médias de importação elevadas, barreiras não-tarifárias rígidas e um ambiente complexo para quem deseja vender para o nosso mercado. Essa postura protecionista nos isola e nos deixa vulneráveis a retaliações. Os EUA, mesmo antes dessa carta, já aplicavam tarifas extras sobre aço e alumínio brasileiros, exemplificando como relações comerciais podem rapidamente se tornar armas políticas. O caminho não é dobrar a aposta na hostilidade, mas profissionalizar nossa diplomacia econômica. Precisamos de clareza de objetivos, coerência de estratégias e disposição para negociar de forma técnica, sem fazer do comércio internacional um palco de disputas ideológicas. Diplomacia eficaz não se faz com slogans, mas com trabalho técnico e compromisso com o desenvolvimento do país. Quem sofre com tarifas, bloqueios e disputas diplomáticas não são os políticos em gabinetes, mas as famílias que dependem do comércio exterior para trabalhar e prosperar. Para um país com vocação exportadora e com tantas cidades portuárias, adotar uma política externa séria e pragmática não é uma opção, é uma necessidade. *Marcelo Rocha. Contador, empresário e mestre em Administração, Educação e Comunicação