Já dizia o antigo ditado: a banca sempre ganha! Como competir com uma máquina para ganhar, ou minimamente, ter um resultado positivo? No xadrez, as disputas entre homens e máquinas começaram no final dos anos 1980 e os computadores com a inteligência artificial passaram a ser muito competitivos, vencendo os grandes campeões mundiais a partir da década de 1990. O enxadrista russo Kasparov foi o primeiro campeão mundial a ser derrotado pela máquina, sendo ela, praticamente, imbatível desde então. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Por isso, mesmo sabendo da capacidade técnica de processamento de dados de um computador, por que achamos que podemos competir com as máquinas? Assim, prosperam jogos eletrônicos de azar que não dão a mínima chance aos competidores humanos. Mesmo com as poucas chances, continuamos gastando o suado dinheiro, às vezes da única refeição do dia, para tentar a “sorte grande”. Durante minha pesquisa de mestrado, escrevi o artigo científico “Magnetismo Psicossocial: o poder das redes sociais para unir pessoas”, publicado na revista Methaodos, da Universidade Rey Juan Carlos de Madrid, em conjunto com a professora pós-doutora em Psicologia Thalita Nobre, que trata do poder dos algoritmos das redes sociais. Uma das ferramentas implantadas e desenvolvidas por essas big techs diz respeito a entender as emoções que o usuário está sentido e disponibilizar conteúdos de outras postagens com emoções correlacionadas, de forma que a pessoa permaneça plugada. Essa é apenas uma entre tantas outras ferramentas que permitem, ou melhor, garantem a conexão de acordo com ideologias, preferências, gostos, gênero, religião, geolocalização, a que intitulamos como Magnetismo Psicossocial. Fica evidente todo o estudo em busca de compreender o comportamento humano e o trabalho que há em termos de tecnologia por trás de um aplicativo amigável, colorido, animado, que busca garantir que o usuário fique plugado por horas na frente da pequena tela. Você, caro leitor, já deve ter sentado à mesa de um restaurante, após várias tentativas de reunir-se com amigos, familiares e quando olha à sua volta vê os demais membros todos com os olhos vidrados na pequena telinha. Isso, com certeza, já aconteceu para quem observa o mundo ao seu redor. Pare num restaurante e examine as mesas. Estamos absortos nesses pequenos computadores de bolsos, controlando a ansiedade, à espera de uma reação ou do próximo post que nos fará ficar mais tempo grudados a ele. Não somos páreos à disputa com as máquinas. Já entramos neste jogo sabendo que vamos perder. Cabe, agora, a regulamentação por meio de um amplo debate com a sociedade, desses aplicativos de forma séria e, principalmente, a proibição de uso por crianças, que são ainda mais vulnerárias e suscetíveis aos efeitos maléficos do uso descontrolado das redes sociais. Não se trata de impedir a liberdade de expressão, mas, principalmente, a forma como essa mensagem será distribuída para cada um dos usuários da rede. Quem controla o algoritmo, controla o jogo!