(Imagem ilustrativa/Pexels) Uma nova figura pede passagem no conturbado trânsito atual: a do pedestre com direção defensiva. Isso é mais do que manter a necessária atenção nos deslocamentos por ruas e calçadas. É estar focado a tudo o que ocorre não só à frente, mas por todos os lados. Santos, antes das 7h do dia 1º de outubro: um carro grande sai da garagem de seu prédio imponente e alcança a rua em segundos. O motorista reduz velocidade para verificar se alguém passava pela calçada? Não. Apenas buzina por breve momento lá de dentro e rasga o caminho como se estivesse numa livre preferencial. Cabe ao pedestre (com direção defensiva) entender, em segundos, que aquela buzina ao fundo, vindo de algum lugar, é justamente a do carro prestes a passar. Por pouco uma jovem não foi atingida. Mas esse é apenas um episódio – agravado por ser em início da manhã com grande fluxo de estudantes pelas calçadas (seguras?). E o que dizer das bikes com condutores na contramão e olhar no celular? Cabeça baixa, atenção à telinha, e seja o que o destino quiser. Faça o teste: dez entre dez motoristas de aplicativos dirão que cansam de se deparar com tal cena – o que é muito preocupante. Dias atrás, uma senhora que descia de um ônibus foi atingida por uma “magrela” fora de sua trajetória. Compras ao chão e discussões acaloradas. No quesito duas rodas, lamentavelmente, alguns motociclistas também abusam – como em ultrapassagens pela direita e temerárias condutas correlatas. Carros não ajudam. Às sextas e aos sábados, a Avenida Epitácio Pessoa vira Autódromo de Interlagos. Chega a dar a impressão de que as calçadas (seguras?) deveriam ganhar guarda-corpo metálico para o caso de um deles invadir o espaço em alta velocidade. Há um antigo desenho animado do Pateta em que ele é um calmo caminhante até assumir o volante. Transforma-se, de imediato, em estressadíssimo motorista. Isso serve de lembrança para o fato de que, em maior ou menor medida, somos todos pedestres. Que, aliás, também cometem erros. Nesse caótico contexto, cabe a reflexão: não é melhor seguirmos as já conhecidas regras básicas do trânsito para evitarmos o pior? E olha que nem mencionei os habituais xingamentos de parte a parte até em ciclovias. É urgente pacificar nossas idas e vindas. Caso contrário, não haverá direção segura que dê jeito. *João Pedro Feza. Jornalista