(Freekpik) A música está presente em todos os momentos da história e da vida do ser humano. Estudiosos ligados à história da civilização sustentam que os homens das cavernas davam à sua música um sentido religioso, considerando-a como um presente dos deuses. Associada à dança, ela adquiria um caráter de ritual, pelo qual as tribos veneravam o desconhecido, agradecendo-lhe a abundância da caça, a fertilidade da terra. Com o ritmo, o bater das mãos e dos pés, celebravam as vitórias nas guerras, descobertas surpreendentes, momentos de alegria ou de dor. Mais tarde, passaram a ritmar suas danças com pancadas na madeira, primeiro simples e depois trabalhadas para soarem de formas distintas. Devem ter surgido, assim, os ritmos e os instrumentos de percussão. Os sons da natureza fascinavam os homens primitivos, dando-lhes vontade de imitar o sopro do vento, o ruído das águas, o canto dos pássaros, o farfalhar das folhas. O ritmo ainda não bastava e o artesanato não permitia a invenção de instrumentos mais melódicos. Sons estranhos tirados da garganta devem ter constituído uma forma rudimentar do canto, junto com o ritmo, resultado da mistura de palmas, batidas de pés, berros e roncos, pulos e uivos. Era o que estava ao alcance do primitivo habitante da Terra nos primeiros tempos da civilização. Considerando os atuais conceitos de música, essas primeiras tentativas de expressão eram deveras simples para se enquadrarem na categoria de arte musical. Do ponto de vista histórico, elas tiveram uma enorme importância porque a sua rítmica elementar acompanhou os homens à medida que eles se espalhavam, formando culturas e civilizações que evoluíram com eles, refletindo todas as transformações que a humanidade experimentou com o passar dos anos. Hoje temos o privilégio de conviver com uma infinidade de sons e ritmos, contidos na música que ouvimos e absorvemos. Aproveitando experiências acumuladas e com o uso da voz, de sons produzidos de maneira mais simples ou a partir de instrumentos mais sofisticados, surgiram inúmeras melodias que tornam a nossa vida mais agradável, embalada por canções que ainda nos fazem sonhar, trazendo lembranças do passado, nos motivando a bem viver o futuro. Esses sons nos levam ao reconhecimento de um ser mais simples, mais amoroso, mais solidário que está dentro de cada um de nós. A música é uma espécie de varinha mágica que, num toque, liberta do íntimo de cada ser o que ele tem de bom e mais autêntico. Quando a música está mais presente, compondo os ambientes festivos, quem sabe consigamos um momento, pequeno que seja, para um necessário recolhimento e, assim, fazermos um balanço, uma revisão do que já vivemos, do que somos hoje e do que queremos para nós mesmos, objetivando mudanças na nossa vida, a ser conduzida por inúmeros e agradáveis sons, de boas e diferentes canções. *Maurilio Tadeu de Campos. Mestre em Educação, pesquisador, escritor, presidente da Contemporânea - Projetos Culturais e membro da Academia Santista de Letras.