Imagem ilustrativa (Freepik) Pois é, amigo leitor. Mais uma vez, o brasileiro acorda com aquele cheiro de café requentado e tarifa fresca. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), com sua costumeira gentileza de coveiro sorridente, anunciou o reajuste dos planos de saúde individuais e familiares: 6,06%. Pode parecer pouco? Pode. Mas só parece. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Enquanto o governo jura de pés juntos que a inflação oficial mal passou dos 5,24%, a ANS, com a delicadeza de um rinoceronte em loja de cristais, resolve que o custo de cuidar da nossa saúde subiu 6,06%. E o brasileiro, que teve o salário corrigido pela inflação oficial, vai ter que fazer ginástica para pagar o seu plano. A desculpa, como sempre, vem embalada em papel celofane técnico: “foi o aumento das despesas assistenciais”, “foi a frequência dos atendimentos”, “foi para garantir o equilíbrio do sistema...” Só faltou dizer que foi o alinhamento dos planetas ou o preço da tapioca na feira de sábado. Mas vamos traduzir do burocratês para o bom português de botequim: o que a ANS está dizendo é que, na hora de medir a inflação para o seu reajuste salarial, usa-se a régua pequena, a que mal passa da sola do sapato. Mas quando é para aumentar o que você paga no plano de saúde, ela saca uma fita métrica de medir campo de futebol. E o truque é sempre o mesmo: a inflação oficial é uma obra de ficção científica, digna de roteiro de Hollywood. Quando é para dar aumento ao trabalhador, a inflação é aquela coisa tímida, encolhida, quase envergonhada. Mas quando é para reajustar tarifa, plano, taxa, imposto e o que mais couber no bolso furado do cidadão, aí ela vira um monstro de filme japonês, do tipo que pisa em Tóquio com um sorriso cínico no rosto. E o pior: tudo isso vem com aquele discurso paternal, como se estivessem nos fazendo um favor. No fim das contas, o consumidor vai ter que escolher entre pagar o plano de saúde ou comprar o arroz do mês. E ainda corre o risco de precisar do plano por causa da úlcera que esse tipo de notícia provoca. É como dizia o genial Stanislau Ponte Preta: o Brasil não é para amadores. E o brasileiro, que já virou atleta de maratona de contas, agora vai ter que bater o recorde mundial de malabarismo financeiro.