(Reprodução/Youtube) Você já deve ter se perguntado quando e onde surgiu o jeitinho brasileiro. Na verdade, isso nem importa mais. O fato é que o bendito jeitinho se enraizou em nossa comunidade, faz parte da sociedade brasileira e domina tanto em seu aspecto positivo de deixar a vida nos levar, resolvendo coisas no último minuto, como também em seu aspecto negativo, aproximando-se da incompetência em não fazer as coisas com perfeição e no tempo certo. Consta nos registros históricos que tudo começou com o descobrimento do Brasil, resultado de um jeitinho de Pedro Álvares Cabral, que tentando ir para a Índia mais rápido, sem enfrentar as tormentas do Cabo da Boa Esperança, simplesmente resolveu dar a volta ao mundo indo pelo Oceano Atlântico e tentou chegar ao Oriente. Esse certamente foi o início do jeitinho na nossa história. Por outro lado, um dos últimos jeitinhos brasileiros que temos conhecimento foi a tentativa de usurpação do poder com a aplicação de um golpe de Estado. Esse seria um jeitinho daqueles bem barulhentos e tormentosos. Independentemente do lado político em que você se encontra, deve reconhecer que brasileiro não tem limites para criar as mais absurdas situações, que só se vê neste país. O problema de tudo isso não está no início nem no fim, mas sim no meio. Quinhentos e vinte e cinco anos de história e temos um jeitinho para cada ano e cada setor da sociedade, um jeito para a política, outro para o futebol. E o que dizer do Carnaval? Esse já não tem jeito mesmo, vai nos trancos e barrancos, mas vai! Ainda temos a religião, que não se discute, a cultura popular e a saúde pública, porque, afinal, de médico e louco todo mundo tem um pouco. *Marco Brito Mioni. Pós-graduado em Direito Administrativo, escritor e autor do livro Os Amadores do Brasil