(Imagem ilustrativa/Pixabay) A natureza sempre manda recados e nós os ignoramos. Mais um ano termina com notícias assustadoras sobre as mudanças climáticas e o nosso futuro. Passamos longos anos ignorando as advertências e cometendo abusos. Eventos dramáticos podem acontecer não no final do século, mas nas próximas décadas. Vamos aos poucos adquirindo consciência de que algo precisa ser feito para evitar o pior. As catástrofes estão aí e ficamos na torcida para que governos e empresas façam sua parte. Passamos a pressionar as entidades, como se algumas soluções não estivessem ao nosso alcance, como se nada pudéssemos fazer. Talvez esteja sendo um tanto sonhador, mas tenho refletido sobre a responsabilidade individual diante de tudo o que está ocorrendo. E me lembrei da historinha de que a praia amanheceu com milhares de ostras perdidas na areia e um velho pegava uma a uma, atirando-as de volta ao mar. Um jovem viu aquilo e não compreendeu. Inocentemente, se dirigiu ao velho e questionou: são tantas as conchas que nunca conseguirá salvá-las; que diferença faz? O velho lançou mais uma ao mar e comentou: para essa, faz diferença. Ainda bem que na realidade também temos bons exemplos, com mutirões e atitudes individuais em defesa das praias, dos mares, das cidades. Há poucos anos, todos se surpreenderam com a notícia de uma menina de 4 anos, a pequena ativista ambiental Nina, condecorada pela Companhia Municipal de Limpeza Urbana da Cidade do Rio de Janeiro por limpar as praias brincando. Outro problema que precisa ser atacado é o dos sacos plásticos. Supermercados passaram a desestimular seu uso, mas a intenção era meramente econômica. Agora, pense: se 50 milhões de brasileiros economizarem apenas uma sacolinha por dia, 50 milhões delas deixarão de ser descartadas. Isso significa 1,5 bilhão de sacolas por mês. Como grão de areia, as tampinhas plásticas representam outro grande exemplo. Segundo a revista Exame, só no metrô paulistano foram recolhidas 48,4 toneladas no ano passado. Essa coleta não se faz só no Brasil. A Europa desenvolveu um sistema que deixa a tampinha presa à garrafa plástica, garantindo a reciclagem total desse plástico. O Brasil é o oitavo país do globo e o maior poluidor da América Latina quando o assunto é o descarte de plástico no oceano. São 1,3 milhão de toneladas lançadas anualmente, revela o relatório “Fragmentos da Destruição: impacto do plástico à biodiversidade marinha brasileira”, lançado nesse ano pela organização não governamental (ONG) Oceana. Esse plástico chega aos mares por falta de um modelo de produção e descarte eficiente. É preciso avançar muito nessa cruzada de proteção ao meio ambiente, mas perder a esperança nunca é a melhor resposta. *Vice-presidente da Praticagem de São Paulo