Imagem ilustrativa (Freepik) O novo dia amanheceu com tarifas. Não foi inflação, não foi gasolina — foi Trump que ressuscitou com um decreto, e com ele a velha prática de jogar os aliados na frigideira geopolítica com a mesma destreza de quem frita um ovo no Harlem. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os Estados Unidos, na calada da noite (e das instituições), impuseram 50% de tarifa sobre aço e alumínio brasileiros. Meio século de protecionismo num único parágrafo presidencial. E não se trata, como apregoam os tolos e seus analistas servis, de “proteção da indústria americana”. Aço brasileiro jamais foi ameaça existencial à república. Trata-se, como bem observam os jornais sérios dos próprios EUA, de uma vendetta política — uma espécie de “fogo amigo” comercial para punir o Brasil por não rezar mais na cartilha trumpista. Sim, porque punir o Brasil enquanto se sanciona um juiz do Supremo que ousou contrariar o mito tropical, só pode ser parte de uma ofensiva que transcende tarifas. É um aviso. Um recado mafioso com selo oficial: ou ajoelhe-se no altar trumpista ou pague caro. E o que faz o Brasil? Uma diplomacia mais submissa que estagiário em reunião de diretoria. O Itamaraty, hoje uma repartição burocrática de cínicos com notas técnicas, limitou-se a anunciar que “acompanha com preocupação”. Preocupação? Eu fico preocupado quando o elevador para entre andares. Isso aqui é um ataque frontal à soberania comercial brasileira. As siderúrgicas que lutem. Os exportadores que se virem. O governo brasileiro ensaia um balé de medidas tímidas, incapaz de usar as ferramentas do comércio internacional como retaliação estratégica. Preferem o silêncio estratégico, como se a diplomacia fosse um jogo de xadrez praticado em câmera lenta por quem está com febre. Enquanto isso, a imprensa americana — aquela que lê e pensa — faz o trabalho de nossa oposição: questiona a legalidade do decreto, aponta o abuso de poder e calcula o prejuízo até para as empresas americanas. Veja só: a cervejaria Molson Coors já culpou diretamente as tarifas pelo corte de lucros. Ao que tudo indica, a patriotada tarifária atingirá em cheio o happy hour do americano médio. No fim das contas, Trump está usando o Brasil como peça de xadrez eleitoral. E nós deixamos. O problema, meus caros, é que enquanto ele joga, nós somos o tabuleiro. E o preço da passividade diplomática, da dependência exportadora e da política externa acéfala é pago com fábricas paradas, empregos perdidos e uma humilhação estratégica que nem mesmo os generais de plantão conseguem disfarçar. Se há algo de positivo nisso tudo, é que o episódio nos mostra — com brutal clareza — o que significa ser “aliado” dos Estados Unidos sob o jugo do populismo autoritário. Não é amizade. É servidão tarifada.