(Freepik) Em meio ao ruído, já parou para perguntar onde se esconde o silêncio? Não o silêncio vazio ou o da ausência, mas aquele que fala, desperta. Vivemos uma era em que a velocidade dita o valor e a pausa parece luxo. E se o que precisamos encontrar estiver neste instante em que tudo para? No agito do silêncio talvez resida a resposta para as inquietações. Como encontrar silêncio em um mundo onde o barulho externo parece ditar o bem-estar interno? Vivemos tempos em que a agitação virou regra, e estar ocupado passou a ser confundido com realização pessoal. Redes sociais, compromissos: tudo pulsa em alta frequência. Nesse cenário, o silêncio soa estranho. Incômodo, até. Como se parar fosse perder o controle, como se calar fosse se tornar invisível. Mas, e se o que mais se busca estiver no silêncio? E se for ali que se revelam as respostas? Imersos em estímulos, somos levados para fora de nós: para o desempenho, para os outros. Usar palavras para falar de silêncio pode parecer discurso de autoajuda. Afinal, como dizia o escritor Rubem Alves, “falamos palavras a fim de não ouvir a palavra que brota do silêncio”. Nesse movimento constante, nos distanciamos do que sentimos, do que ressoa com sentido dentro de nós. Quando, enfim, surge um momento de silêncio, pode assustar. Isso acontece porque não estamos acostumados. O silêncio escancara perguntas que evitamos, revela o vazio de certezas e mostra a essência. Silenciar é se perder numa desconstrução profunda de padrões, abrindo espaço para a reconstrução do autoconhecimento. Como ainda diz Clarice Lispector, “perder-se também é o caminho”. O poeta Guimarães Rosa nos lembra que “felicidade se acha é em horinhas de descuido”. O silêncio é um instante precioso em que a alma simplesmente se permite ser. Sem máscaras, sem respostas prontas, apenas presença genuína. Entre um pensamento e outro, o que parecia vazio ganha sentido, como se a vida sussurrasse que ali mora o essencial. Silenciar é um ato de amor — por si, pela vida e por tudo o que só pode florescer quando a alma pode falar. Imersos neste agito profundo, intenso e curativo, deixemos o silêncio do medo ser substituído pelo silêncio da humildade; que o silêncio da angústia seja preenchido pelo da alegria; onde há o silêncio da indiferença, que o da admiração se faça presente; que o silêncio do orgulho dê lugar ao do amor. Este é o espaço onde a alma transpessoal encontra sua voz — um silêncio que não é vazio. Que vivamos da paixão daquele silêncio que preenche tudo, que não é vazio, e sim cheio de vida. Deixe o silêncio ser a voz do seu encontro. *Terapeuta, educadora, coordenadora no colégio Objetivo Baixada na cadeira de Língua Portuguesa, ultramaratonista, maratonista e triatleta