(Vanessa Rodrigues/Arquivo AT) Meu olhar de criança observava o presépio onde lá estavam o menino Jesus e seus pais, Maria e José. A cena fora retratada num estábulo e o bebê deitadinho, manso, numa manjedoura forrada de palhas. Ao redor, alguns animais e, mais atrás, três figuras ricamente adornadas, os Reis Magos. Essas nobres e ilustres personagens traziam nas mãos presentes ao recém-nascido. Vi, no alto, uma estrela brilhante, que apontava o local, a indicar que ali estava alguém muito importante e divinal. As explicações da minha mãe faziam-me entender que aquela cena representava o nascimento de Jesus. O presépio era concebido em todos os Natais e nos mostrava a importância do nascimento daquela criança que viera ao mundo para ser o nosso Salvador. Minhas quimeras inocentes levaram-me a imaginar que Jesus poderia ter nascido em qualquer família, de qualquer lugar do mundo, mas uma delas teve a missão especial de receber esse ser tão grandioso que, ao longo do tempo, nos trouxe inúmeros ensinamentos e exemplos, ainda lembrados e reproduzidos por muitos de nós que acreditamos no bem, no amor, na caridade, na humildade e em tantos outros preceitos que nos conduzem pelos bons caminhos. Hoje relembro daquela cena do presépio, a representar a família que todos gostaríamos de ter de verdade, simples, unida e repleta de esperanças. E comparo aquele exemplo de digno parentesco com a nossa realidade tão carente de afetividade, de união e de solidariedade. Assim, desejoso de que ocorra um milagre, elevo meu olhar em súplica para o céu e, nesses dias tão difíceis, rogo a Deus, Pai de nós todos, para que derrame sobre a humanidade a lucidez, a clarividência e a humildade, tão presentes na família do presépio, para que esse prodígio, realizado, nos torne pessoas puras, simples e capazes de vencer, com brio, quaisquer obstáculos, para que possamos trilhar, com retidão, o caminho certo, rumo à nossa alegria e bem-estar que nos seja duradouro, pleno em boas e sensatas atitudes, para que enxerguemos o Natal com a imensidão daquele olhar do menino que um dia eu fui, a imitar o doce mirar do menino na manjedoura. E, finalmente, percebamos que o Natal deste ano, tão diferente e singular, nos proporcione o que de melhor precisamos ter para sermos bem-aventurados. Estejamos, sempre, de mãos unidas, para que consigamos caminhar na direção do novo ano. E que nada nos cause qualquer mal que possa se apoderar do nosso desejo de conquistarmos a ansiada vitória diante de tantas vicissitudes a precisarmos vencer para estarmos na plenitude do que sempre desejamos ser: puros, simples, bons de coração, fortalecidos e predispostos a superar quaisquer obstáculos. *Maurilio Tadeu de Campos. Mestre em educação, escritor, presidente da Contemporânea - Projetos Culturais e membro das academias Vicentina e Santista de Letras.