Encontro será na Casa das Culturas (Alexsander Ferraz/AT) Presenciei na Casa das Culturas de Santos o lançamento do livro da poetisa Beatriz Duarte de Almeida, Epifanias e Utopias. Fruto da frequen-tação da oficina literária comandada pelo poeta Flávio Viegas Amoreira, ela começou a escrever seus poemas após os 80 anos, levando-os a cada sábado para serem lidos na oficina. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Com poesias de muita profundidade, com frases ora eruditas, ora graciosas, tendo a rima como característica de sua escrita, ela conquistou a admiração dos frequentadores daquela Casa. Cerca de dois anos depois, tinha material suficiente para coroar seu trabalho com a publicação de um livro. Semelhante à maiêutica de Sócrates, a oficina literária tem seu papel de parteira da arte. Mais que apresentar conhecimento, ajuda aqueles que a frequentam a dar à luz suas ideias, a elaborar sua escrita, colocando-as no papel e torná-las públicas com a leitura naquele grupo. Eu já escrevia esporadicamente e havia sido selecionado e premiado em concursos literários, mas a participação na oficina literária semanalmente me trouxe um pouco mais de ânimo para escrever. Afinal, os concursos são esporádicos e você só será visto se for vencedor ou ficar entre os poucos selecionados. Nesse grupo do Flávio, o texto escrito já não ficaria apenas na gaveta. A obrigação de a cada semana levar um texto novo sobre um tema sugerido, uma obrigação voluntária, passou a forçar-me e impulsionar-me a vencer o desânimo e a procrastinação, escrevendo com mais regularidade. A escrita é como a natação ou andar de bicicleta. Não se aprende só com teorias. É mergulhando nas palavras, pedalando nos parágrafos, correndo a pena sobre a página em branco que ela se faz. E o fato de ler o texto em público, socializar a sua escrita num grupo de pessoas que amam literatura, receber o aplauso, sincero às vezes, protocolar outras, pouco importa, torna-se um fator incentivador. Faz parte do processo de parturiência da arte, da escrita, promovida ali naquele belo casarão de 125 anos. Como em tantas outras coisas, a vida nos ensina que dependemos uns dos outros. Embora a escrita seja uma atividade essencialmente solitária, essa reunião de um grupo de pessoas que aprecia literatura acaba sendo importante para motivação e apoio psicológico ao escritor iniciante, e que neste sábado mostrou um dos seus mais belos frutos. Reinaldo Mota Jr.. Servidor público e escritor.