Foto ilustrativa (Reprodução Instagram/Santos FC) A perda é um eco universal de dor que ressoa em todos nós. Ela pode ser o adeus a um ente querido, o fim de um ciclo ou o confronto com a doença. A jornada do luto é árdua, um caminho que nos desorienta, abala nossa identidade e nos faz sentir exaustos e sozinhos. Contudo, é nessa mesma jornada que aprendemos a conviver com a dor e a buscar um novo bem-estar. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conheci Pasquale Domenico Nato no final dos anos 90, na Apae de Santos. Ele era a alma da banda musical da instituição, um jovem que se destacava não por sua condição, mas por sua imensa capacidade de transmitir carinho. Filho de Antonio e Giuseppina Nato, seus olhos pequenos e amendoados carregavam um universo de afeto e empatia. Sua síndrome de Down nunca foi uma barreira, mas uma ponte para o coração das pessoas. Pasquale era a prova viva de que a inclusão social não é apenas uma política, mas um movimento de humanidade. Em cada gesto e em cada preocupação com os colegas da banda, ele nos ensinava sobre a beleza do altruísmo. O tempo nos separou, mas a marca de sua amizade, profunda e sincera, nunca se apagou. A vida, com sua imprevisibilidade, nos reuniu novamente alguns anos atrás, em um reencontro emocionante no Memorial das Conquistas do Santos Futebol Clube. Pasquale, agora um jovem longevo, trabalhava como monitor, e seu carinho e simpatia continuavam a aquecer o ambiente. Foi um momento de pura emoção, repleto de lágrimas de alegria de ambos os lados. A partir daquele dia, nossa amizade floresceu novamente. A cada encontro, surgia a certeza de que a vida me brindara com a presença de uma alma verdadeiramente especial. O seu falecimento nos primeiros dias de agosto deste ano nos trouxe uma imensa dor que veio do fundo da alma. Perder você, meu amigo, é como ver o sol se pôr para sempre. Com sua vida e seu amor, você me ensinou o valor do respeito incondicional. A síndrome não era um obstáculo, mas uma janela para um coração que transbordava bondade e felicidade. Em cada abraço e sorriso, Pasquale, você nos mostrou a beleza de ajudar o próximo, sem esperar nada em troca. Sua vida foi um poema de altruísmo. A vida nos apresenta mestres em silêncio. Pasquale foi um desses, um poema de alma. Com olhos que espelhavam um universo de carinho e um coração que não conhecia barreiras, ele nos ensinou que a inclusão não é um ato, mas a essência de ser humano. A síndrome não era um obstáculo, mas a janela para a bondade mais pura. Ele nos deixou, mas sua luz, um farol de amor e respeito, brilha em cada lembrança. Descanse em paz, amigo, sua melodia de altruísmo ecoará para sempre.