Jornal A Tribuna, 130 anos

Adilson Luiz Gonçalves. Escritor, engenheiro, pesquisador universitário e membro da Academia Santista de Letras

Por: Adilson Luiz Gonçalves  -  02/04/24  -  06:34
  Foto: Vanessa Rodrigues/AT

Quando eu estudei no Grupo Escolar Dr. Cesário Bastos (faz um tempinho), no final dos anos de 1960, não havia Dia da Criança, mas Semana da Criança. Nesse período, não havia aula, mas uma programação especial, que incluía visitas ao Orquidário, ao Aquário, ao Corpo de Bombeiros, ao Monte Serrat e à fábrica da Coca-Cola. Os passeios eram feitos em bondes elétricos do Serviço Municipal de Transportes Coletivos (SMTC), o que já era uma festa. Era possível usar esse meio de transporte para ir a quase qualquer ponto da cidade!


Uma dessas visitas foi especialmente inspiradora, além de desvendar o que era um mistério para mim: a imprensa. Fomos à sede do Jornal A Tribuna! Aprendi a ler em casa, aos 5 anos, graças a meu pai. O material de estudo era a Cartilha Sodré e o Jornal A Tribuna. Daí, a visita às instalações do jornal, no imponente prédio da Rua João Pessoa, 129, teve um gosto especial, que não foi de chumbo, apesar de ter esse metal no escopo.


Ainda era o tempo do linotipo, “máquinas de escrever” enormes e pesadas, inventadas por Ottmar Mergenthaler, em 1884, que produziam tipos de chumbo que compunham a diagramação de textos do jornal, e dos livros de então, que eu já “devorava”, também por obra de meu pai. E tudo começou com Johannes Gutenberg, no século 15...


As lajes do andar onde os linotipistas atuavam deviam ser reforçadas, pois cada impressão de tipo gerava um impacto que fazia o piso vibrar. E os tipos eram impressos a quente. Bem antes da diversificação midiática, A Tribuna também promovia eventos em seu auditório. Nos anos de 1970, assisti um show com cantores dos tempos da Jovem Guarda.


Meio precoce, também gostava de acompanhar a programação jornalística das rádios AM. No caso da Rádio A Tribuna, o jornal era às 23 horas. Eu colocava o radinho de pilha que havia ganho de minha avó sob o travesseiro, para não incomodar meus irmãos. Até hoje lembro do tema de abertura do jornal. Um exemplar de linotipo agora estava em exposição no térreo do prédio. Novas tecnologias o tornaram obsoleto.


A Tribuna publicou um texto meu, no início dos anos de 2000, talvez a primeira de minhas colaborações com meios de comunicação, e um marco do início de minha atuação com escritor. A ele se seguiram outros, até que em meados dessa mesma década A Tribuna criou seu Conselho de Leitores. Tive a honra de integrar o primeiro, coordenado por Marcio Calves e Arminda Augusto.


Com a condescendência dos editores do jornal, tenho mantido essa colaboração desde então, além de ser assíduo leitor, por prazer e dever de ofício, por atuar no setor portuário. A Tribuna é, desde sempre, uma referência nacional nessa área, do barquinho de papel jornal ao navio de 366 metros, contando com um excelente time de colunistas especializados!


Por meio de A Tribuna, também foi possível divulgar várias pesquisas de graduação feitas por alunos que orientei, durante minha atuação como docente de cursos de Engenharia e de Arquitetura e Urbanismo.


A Tribuna faz parte da vida de quem vive na Região Metropolitana da Baixada Santista, presente e atuante em todos os contextos históricos, regionais, nacionais e internacionais, também foro democrático da expressão de opiniões.


Hoje, A Tribuna é multimídia e renova-se a cada dia, em conteúdo e tecnologia! As homenagens por esses 130 anos, com um “corpinho” de 20, são mais do que merecidas, pois celebram uma longevidade que nunca perdeu a juventude, um exemplo raro que só os grandes meios de comunicação alcançam. Parabéns! E muitos anos de vida!


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna. As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.
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