(Divulgação) Quando vejo a nomeação de certas figuras para cargos de ministro, chego a uma conclusão incômoda: o maior problema do Brasil não é a corrupção. É a incompetência. Corrupção, afinal, dá para medir. Está nos processos, nas delações, nos valores devolvidos aos cofres públicos. É escandalosa, mas quantificável. Já a incompetência… ah, essa não deixa recibo. Não vem acompanhada de extrato bancário, não gera relatório da Polícia Federal. Ela se infiltra em decisões desastrosas, projetos parados, rumos tortos que levam décadas para serem corrigidos — quando são. Na minha vida profissional, vi isso de perto na atuação de um sindicalista brilhante, desses que sempre estavam um passo à frente. Negociações difíceis, mas inteligentes, dignas de manual. Eis que depois de alguns anos, um belo dia, como prêmio, o homem foi alçado à presidência de uma estatal gigante. Foi aí que caiu a ficha: um bom sindicalista não é, necessariamente, um bom presidente de empresa. Resultado? Problema interno, externo, para os funcionários, para o mercado e, é claro, para o país. As indicações políticas parecem inevitáveis, quase parte do DNA da nossa República. Fazem parte do jogo, dizem. O problema é quando o jogo não tem árbitro, nem regras claras, e o torcedor — no caso, a população — é quem paga o ingresso. Um sistema de freios e contrapesos para barrar escolhas feitas por apadrinhamento não é luxo, é sobrevivência institucional. Porque o que está em jogo não é apenas quem senta na cadeira de ministro ou presidente de estatal, mas sim os rumos de setores inteiros da economia, a confiança do mercado e, em última instância, a qualidade de vida de milhões de brasileiros. É claro, sonhar não custa nada. Ao contrário da incompetência, sonho não gera rombo nas contas públicas — só frustração quando não se realiza. Os números da corrupção impressionam: só na Petrobras, R\$ 6,2 bilhões desviados; no INSS, em descontos indevidos a aposentados, R\$ 6,3 bilhões. Valores colossais, mas ainda pequenos perto das perdas imensuráveis causadas por decisões incompetentes em ministérios, estatais e autarquias. Porque incompetência não rouba só dinheiro: rouba tempo, oportunidades, futuro. E ainda assim, aqui estamos — e, pasmem, com direito a aplausos de muitos. O Brasil resiste, teimoso como sempre, quase indestrutível. Mas nenhum gigante aguenta tropeçar para sempre sem cair. Até quando a sorte vai segurar o país em pé? *William Horstmann. Engenheiro, ex-executivo, e consultor