(Reprodução/Pixabay) Você pode pensar que lá vem mais um texto falando sobre cigarro convencional ou cigarro eletrônico, com críticas ao uso, mas peço calma e atenção, pois o objetivo é conscientizar sobre o uso do cigarro e oferecer informações, compiladas por um estudante de Medicina, aos mais diferentes públicos. A nicotina, principal substância presente no cigarro, oferece sensação de prazer e bem-estar a partir da liberação de dopamina no cérebro. Isso ajuda a explicar a dificuldade que as pessoas têm para largar o hábito de fumar e evidencia a necessidade de acompanhamento profissional. De acordo com o Ministério da Saúde, as complicações do tabagismo incluem risco aumentado de desenvolver doença coronariana (duas a quatro vezes mais que não fumantes), AVC (duas a quatro vezes mais), câncer de pulmão (23 vezes a mais em homens fumantes na comparação com não fumantes e 13 vezes em mulheres na mesma comparação). Em alguns casos, os pacientes podem acordar com desejo de fumar porque, ao dormir, reúnem alta quantidade de nicotina no sangue (nicotinemia). Como ela reduz com o passar das horas, surge o desconforto e, no dia seguinte, o ciclo começa novamente. Há uma forma de avaliar essa dependência, por meio do questionário Fagerström. Nele, pacientes com mais de 6 pontos são considerados com alta dependência de nicotina. No Sistema Único de Saúde (SUS), há duas opções de tratamento: o acompanhamento psicológico, com o grupo de tabagismo para pessoas que fumam menos que cinco cigarros ao dia, e a combinação de tratamento farmacológico com psicológico, como a terapia de reposição de nicotina a partir de adesivos e gomas, por um período de 12 meses. Importante salientar que enquanto a pessoa estiver usando o adesivo, ela não deve fumar, pois é prejudicial à saúde. Para referências bibliográficas e acadêmicas, existe uma diferença entre o que é preconizado pelo SUS e pela Força Tarefa Preventiva Americana. No primeiro, não é realizado rastreio para câncer de pulmão com tomografia computadorizada de baixa dose. Já o segundo conta com rastreio anual em pacientes entre 50 e 80 anos com carga tabágica maior ou igual a 20 anos-maço ou ex-tabagistas até 15 anos. De acordo com o Ministério da Saúde, a partir do Instituto Nacional do Câncer (Inca), cresceu o número de fumantes no Brasil que procuram tratamento no SUS entre 2020 e 2024. Quanto ao cigarro eletrônico, aparentemente inofensivo, mas que também contém nicotina e outras substâncias tóxicas, o tratamento é igual ao preconizado pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde. Se você tem vontade de parar de fumar ou está indeciso, vá a uma Unidade de Saúde da Família (Usafa) ou Unidade Básica de Saúde (UBS) para começar o programa e o tratamento. A atenção primária é a fonte de ajuda para parar com este hábito, aparentemente prazeroso, mas que carrega consigo consequências a longo prazo. * Aluno do 10º semestre do curso de Medicina da Universidade do Oeste Paulista, campus Guarujá