(Imagem Ilustrativa/Unsplash) Prometo que minha próxima crônica não tratará de segurança pública. Desse tema que nos tira a paz, darei (merecida) folga ao caro leitor. Mas, como disse, na próxima crônica. Minha primeira troca de tiros me marcou de um jeito diferente. Não que, nela, tenha matado nem, obviamente, morrido. Eram três marginais armados (à época, não era exigência chamá-los de suspeitos) que ocupavam um carro roubado. Enquanto fugiam, um deles atirava na direção da viatura. Os três foram presos. Algum tempo depois, quando aguardava na antessala do fórum para depor sobre o caso, adivinhe quem se sentou a meu lado? O criminoso autor dos disparos contra minha guarnição. Ali se desnudava algo que seria comum em minha carreira – comum na carreira de qualquer policial: a frustração de prender alguém várias vezes, dezenas de vezes, enfim, enxugar gelo. De lá para cá, as coisas só se agravaram: criminosos com fuzis e desvairada especialista em segurança pública aconselhando a polícia a enfrentá-los com pedradas. E o que tem feito o presidente pindoramense? Sempre me refiro ao País como a República Federativa de Pindorama, ou apenas Pindorama – a Terra das Palmeiras, nome tupi-guarani dado pelos indígenas antes de Cabral errar o caminho para a Índia – sarcasmo que representa nosso atraso, nossa reiterada escolha em permanecermos onde estamos, sem sair do lugar, sem avanços. Então, nada mais adequado que imprimir alcunha igualmente de origem tupi-guarani àquele que governa Pindorama. Veio-me à mente Curupira, em homenagem a essa personagem do folclore nacional que tem os pés virados para trás. Curupira caminha num sentido, mas as pegadas enganam a todos, fazendo-os acreditar que ele vai em sentido oposto. Não é exatamente o que faz nosso presidente? Da boca para fora, declama juras de amor aos trabalhadores e, a cada oportunidade, revela sua indisfarçável simpatia por criminosos. Declara que traficantes “são vítimas dos usuários”. Proclama que “houve a matança” de criminosos por parte da polícia fluminense em recente operação realizada no Complexo do Alemão. Aliás, sobre esse episódio, é nauseante lembrar que o governo federal se recusou a auxiliar com apoio logístico e efetivo a operação policial e, agora, empenha-se em enviar peritos para uma investigação paralela sobre os criminosos neutralizados. A República Federativa de Pindorama finalmente tem Curupira, um presidente à altura de sua história. *Arnaldo Luis Theodosio Pazetti. Coronel da PM, advogado e escritor