Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, em Guarujá (Vanessa Rodrigues) “Respeito de Sul a Norte, mais um pedaço de chão / Sua história é a do país, razão de ser feliz, toda nossa região / Foi no século 16, na Ilha de Santo Amaro / Que a fortaleza se fez, servindo a todos de amparo / Rei Felipe autorizou, Antonelli projetou esse monumento raro...”. Esta estrofe de uma canção do escritor, poeta e compositor Ivan Di Ferraz o destaca como pessoa que se dedica de corpo e alma à Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, em Guarujá, que data de 1584. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Eis aí uma pessoa de rara competência que recebe os visitantes daquele monumento histórico nacional, cravado no esporão rochoso que moldura a margem esquerda do estuário de Santos, visível de todas as praias da Ilha de São Vicente voltadas para a Baía de Santos. Sua história, como diz o nosso compositor-repentista, está intimamente ligada à formação da nossa nacionalidade, pois diante de suas espessas e rústicas muralhas de pedras pintadas de branco ocorreu um combate naval entre três caravelas da esquadra do almirante Diogo Flores Valdés, espanhol, contra os dois navios ingleses de Eduard Fenton, na tarde do dia 24 de janeiro de 1584, na embocadura do estuário de Santos, onde hoje está a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, dando origem a sua construção, incialmente em taipa militar. Santo Amaro da Barra Grande, ao contrário das outras fortificações coloniais do Brasil, não foi apenas um bastião contra piratas, corsários e aventureiros de outras nações colonizadoras. Foi, acima de tudo, um símbolo de advertência do domínio incontestável de Felipe II da Espanha sobre os habitantes de São Vicente, no início do longo período de união das coroas ibéricas (1580-1640). Parte do efetivo militar do galeão espanhol Santa Maria de Begônia, avariado em combate, integrou-se à sociedade local, como foi o caso do sevilhano Bartolomeu Bueno, patriarca de uma família de bandeirantes, incluíndo o seu filho que herdou o seu nome e o apelido de Anhanguera que significa “diabo velho” ou “velha alma” na língua tupi-guarani. O mais expressivo conjunto arquitetônico militar colonial do Estado de São Paulo é assim apresentado pelo simpático guardião daquele monumento de origem militar colonial, indicado para ascender de Patrimônio Histórico Nacional para Patrimônio Cultural da Humanidade, a ser reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). *Membro da Academia Santista de Letras.