(Imagem ilustrativa/Pexels) Posso estar completamente enganado — afinal, minha formação em psicologia se resume a observações de botequim —, mas tudo indica que, de modo geral, todos nós queremos fazer a diferença na vida de alguém. Às vezes na de uma única pessoa; em outras, de algumas; em dias mais ousados, de muitas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Há ainda quem se contente em mudar o destino de um bichinho de estimação — o que, convenhamos, já é um excelente começo. Essa diferença pode alcançar conhecidos, amigos, parentes e, não raramente, completos desconhecidos. Um terapeuta, por exemplo, trabalha diariamente para transformar a vida de seus pacientes. Já um influenciador digital sonha alto: quer impactar milhares de pessoas que nunca viu — e talvez nunca venha a ver fora da tela. Os motivos por trás dessa vontade, no entanto, variam bastante. Em alguns casos, trata-se de puro amor ao próximo. Em outros, de uma discreta (ou nem tanto) necessidade de atenção. E há também razões menos nobres circulando por aí: ambição, interesses pouco confessáveis, vaidade em doses industriais e, claro, a velha e conhecida ganância. Fazer a diferença é louvável — desde que seja para o bem. O problema surge quando observamos certos integrantes do poder público que, em regra, fazem a diferença… mas apenas para uns poucos muito próximos. Nesses casos, a ambição, a cobiça e interesses inconfessáveis costumam drenar qualquer resquício de nobreza do gesto. A diferença até acontece, mas o benefício é altamente seletivo. Soma-se a esse impulso outro sentimento igualmente humano: a necessidade de sermos aceitos, queridos e, se possível, admirados. Ao impactar a vida de alguém, muitas vezes esperamos — ainda que em silêncio — um sorriso de volta, um agradecimento, um olhar de aprovação. Gostamos de ser bem-vindos. O desconforto surge quando isso não acontece: quando alguém não gosta de nós ou, pior, deixa de gostar. A partir daí, inicia-se uma tentativa quase desesperada de autoaperfeiçoamento — uma espécie de reforma íntima que nem sempre agrada a todos - o sucesso está longe de ser garantido. No fim das contas, querer fazer a diferença na vida de alguém é saudável. E desejar ser admirado ou querido também não é pecado capital. O desafio está em seguir tentando — mas pelos motivos certos. De preferência, não pelos mesmos que costumam inspirar a maioria das nossas autoridades. Afinal, fazer a diferença é ótimo. Desde que não seja apenas em benefício próprio. *William Horstmann. Engenheiro, ex-executivo e consultor.