(Reprodução/ Pixabay) Eles estão por toda parte. À primeira vista, parecem inofensivos: têm nome comum, foto de perfil sorridente (ou às vezes o pôr do sol na praia) e até se manifestam com um ou outro emoji simpático. Mas basta um leve cheiro de polêmica no ar para que eles se revelem. Sim, estamos falando deles — os chatos de grupo de WhatsApp. Essa categoria, muitas vezes confundida com pessoas simplesmente opinativas, possui traços bem específicos: precisa ter a última palavra. Mesmo que a discussão seja sobre um defeito na porta do elevador do prédio, lá está ele com argumentos e um tom passivo-agressivo. Quer um exemplo? Grupo do “Condomínio Portal da Harmonia”. Alguém comenta: “Gente, o portão está abrindo sozinho. Será que é problema no controle?” O chato surge: “Como já comentei (vide mensagem de 17/3), o problema é a falta de manutenção que alguns se recusam a aprovar. Vide Artigo 2.3 do regulamento”. Ninguém pediu, mas ele veio. Sempre pronto, sempre... chato. E o tipo não muda: seja no grupo da família, da turma da escola ou do condomínio. O método é o mesmo: tensionar, insistir — e se possível, sair “vitorioso” na discussão, mesmo que custe o constrangimento alheio. Outro clássico: o chato professoral. Você manda um “rsrs” e ele responde: “O correto seria ‘hahaha’. ‘Rsrs’ denota desinteresse”. Sim, eles conseguem transformar até um emoji em debate polêmico. E o mais curioso: não se tocam. São como o motorista que buzina no engarrafamento acreditando piamente que está fazendo a diferença no trânsito. E quando alguém tenta apaziguar? “Gente, vamos manter o bom humor”. O chato vê aí uma brecha: manda prints, áudio de 3 minutos e conclui: “Só tento trazer racionalidade à discussão.” No fundo, todos sabem quem é o chato. E aqui entra o ponto interessante: cheguei a cogitar, por um breve momento, pedir desculpas aos chatos que — direta ou indiretamente — inspiraram este texto. Mas bastou um segundo de lucidez para perceber: seria perda de tempo. O chato convicto jamais se reconhece como tal. Pelo contrário, ele se vê como um bastião da razão em meio ao caos da ignorância alheia. Pedir desculpas a ele seria o mesmo que discutir com a parede — só que a parede, às vezes, sabe a hora de parar. Se você leu isso com ar de superioridade e já está preparando uma resposta... talvez, só talvez, esteja na hora de dar aquela paradinha para uma reflexão. E se ficou na dúvida: relaxe. O verdadeiro chato nunca tem dúvidas. Ele tem certezas. *Engenheiro, ex-executivo e consultor