Falar de educação não é uma situação tão simples de se resolver. Será necessário que todos os que são pais e educadores tomem assento, por convicção ou por vocação e discutam sem melindres, uma vez que precisamos, decisivamente, pensar no coletivo. Sou educador há quatro décadas e já passei por incontáveis mudanças, reformas, discussões de propostas pedagógicas. Por todos praticantes da verdadeira educação já passaram: a unificação do primário e ginásio para o chamado “1º Grau”, que depois virou “Ensino Fundamental” com oito anos de duração e, mais recentemente, a divisão em “Ensino Fundamental I e II”, o famigerado “caderno verde”, o “PIC” a “avaliação programática”, a “aprovação automática”, a “aprovação por ciclos”, a “progressão continuada”, a “escola de verão”, as mudanças de "ano para série" e, mais recentemente, de "série para ano", quando se acrescentou mais um ano ao Ensino Fundamental, as mudanças no Ensino Médio quando antes havia o Clássico, o Científico e o Normal e tudo isso virou “Ensino Semiprofissionalizante e Profissionalizante” que, posteriormente, ficou desobrigado de ter qualquer relação com a formação profissional. As pessoas saem do Ensino Fundamental e Médio, verdadeiramente alfabetizadas? Tomo a liberdade de mencionar isso e citar os chamados “analfabetos funcionais”, pessoas que não gostam de ler, têm dificuldades em redigir e interpretar textos simples e também executar operações aritméticas fundamentais. Enfim, saem da escola sabendo um pouco do que lhes possa ser útil para a vida e com alguma noção de que consigam ser, de fato, cidadãos com direitos e obrigações, conscientes da real posição na sociedade. E o papel da família, a transferir para a escola responsabilidades que são suas? Diante dessas imensas mudanças que pouco colaboram para a qualidade do ato de ensinar e aprender, devo dizer que lutei para conquistar o direito de usar da minha liberdade de pensamento e poder expressa-la, como estou fazendo agora. Tenho idade e tempo suficientes como educador para estar, ainda, inquieto com o que vem sendo feito com as pessoas e com as suas reais necessidades básicas. Poderia propor que precisaríamos formar uma grande roda, esquecer as vaidades para discutir, de fato, o que se quer de bom para a nossa sociedade, antes que seja tarde. Refletir e discutir, arregaçar as mangas e colocar em prática as ideias já tratadas. Poderia permanecer aposentado e ao largo dessas discussões. Mas ainda estou aqui, em atividade, porque tenho a esperança de que tudo possa mudar para melhor. É só querer, não é mesmo? Aí, alguém pode perguntar: “E o que eu ganho com isso?” Eu responderia: “uma sociedade melhor, mais igualitária, menos violenta e bem formada, na qual será magnificente viver, conviver e compartilhar coisas boas e essenciais à felicidade de todos. *Maurilio Tadeu de Campos. Mestre em Educação, escritor, presidente da Contemporânea - Projetos Culturais e membro da Academia Santista de Letras