(Irandy Ribas/AT) Há algum tempo, conversei com um antigo membro da diretoria de uma grande empresa de transporte marítimo, um executivo com ampla experiência no Porto de Roterdã, na Holanda. Ao questioná-lo sobre a ideia de trazer um especialista holandês para solucionar a constante e custosa alteração da faixa de areia da praia de Santos, ele foi enfático: “Trazer um especialista da Holanda seria uma ideia excelente!” A Holanda é reconhecida por sua expertise em engenharia costeira. Com séculos de experiência na convivência com o mar, o país lidera projetos inovadores e sustentáveis de dragagem, recuperação de praias e controle de erosão. Algumas soluções inspiradoras da engenharia holandesa: alta tecnologia para estudos técnicos. Por exemplo, o uso de simulações em computador e mapeamento 3D do fundo marinho permitiria entender, de forma detalhada, a interação entre dragagem, correntes marítimas, ressacas e sedimentação. Dragagem sustentável: técnicas como o ‘building with nature’ (construir com a natureza), aproveitam processos naturais para reduzir impactos ambientais. Com essas soluções, seria possível melhorar a dragagem em Santos, minimizando interferências no fluxo de sedimentos e prevenindo a erosão costeira. Barreiras submersas e recifes artificiais: projetos como os ‘sand engines’ (motores de areia) são estruturas artificiais que redistribuem sedimentos ao longo da costa de forma natural. Poderíamos adaptar essa tecnologia para construir barreiras submersas capazes de estabilizar a movimentação de sedimentos. Monitoramento em tempo real: sistemas avançados de monitoramento acompanhariam a movimentação dos sedimentos e a estabilidade da faixa de areia, permitindo intervenções rápidas e direcionadas. Gestão integrada porto-cidade: inspirando-se em modelos como o de Roterdã, onde porto e áreas costeiras coexistem sustentavelmente, poderíamos aprimorar a integração das atividades econômicas, urbanização e preservação ambiental. Mega nutrição de areia: a técnica de ‘mega sand nourishment’, distribui grandes volumes de areia que alimentam naturalmente a costa ao longo de décadas. Essa solução minimiza intervenções frequentes e protege o ecossistema marinho. Além de implementar soluções técnicas de ponta, a colaboração com especialistas holandeses também traria a oportunidade de capacitar profissionais locais. Essa aproximação poderia transformar Santos em uma referência em engenharia costeira no Brasil. *William Horstmann. Engenheiro, ex-executivo e consultor