Pessoas não são o que dizem ou acreditam ser, são objetivamente o conjunto de ações – e omissões – que adotam durante a vida. Ninguém é humilde tão somente porque se enxerga com tal atributo (e nem falemos da falsa humildade que muitos externam apenas diante de quem supostamente se encontra um nível acima na cadeia alimentar social). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A propósito, quem se autoproclama humilde não estaria justamente distanciado de tão louvável virtude? Não ser necessariamente o que se declara, vale para pessoas e também para Estados e governos. Até 1990, havia um país na europa central que esmagava opositores e calava a imprensa: República Democrática Alemã. Ao norte da península coreana, se localiza o país mais fechado do mundo, com imprensa sob o domínio estatal e oposição política inexistente: República Popular Democrática da Coreia. Para existir como atributo estatal, a democracia precisa pulsar em ações, manifestadas pelo governo da vez. Não serei enfadonho com o caro leitor, irei poupá-lo de definições doutrinárias ou filosóficas de democracia. Analisemos, então, um dos cromossomos que compõem a genética democrática: a segurança pública. Cabe citar trecho do livro Nexus, de Yuval Harari: “Se um governo não mata ninguém, mas também não se esforça para proteger os cidadãos contra assassinatos, isso é anarquia, e não democracia.” (essa crônica poderia se encerrar aqui e deixar que cada um extraísse a própria conclusão sobre a saúde – ou a patologia – de nossa democracia). Fatos se apresentam como confiável termômetro democrático: recentemente, em São Paulo, um PM, em atitude heroica, tentou realizar a prisão de um criminoso, ops, suspeito, e acabou baleado no pescoço. O comparsa do suspeito (que já era investigado por integrar quadrilha que havia matado um delegado de polícia no início do ano) roubou a arma do policial e, dias depois, foi preso. A cereja do bolo? O suspeito comparsa dessa violência contra o PM já está em liberdade. Se nem policiais têm sua segurança garantida, que grau de proteção é ofertado aos cidadãos? Para além de discursos que alternam demagogia e bravata, e que reverberam entre políticos, efetivamente respiramos democracia? Creio que não. E os principais responsáveis por solapar a democracia são governos ineptos que só conseguem oferecer o caos, induzindo a sociedade a flertar com sedutores psicopatas que possuem indisfarçável fetiche por autoritarismo.