Quadro ilustrativo (Benedito Calixto) “Deodoro da Fonseca, uma perna torta e a outra seca”. É como brincavam, quando crianças, os que hoje são idosos. Quem descobriu o Brasil? Pedro Alvares Cabral. Muito bem. E quem proclamou a República? Marechal Deodoro da Fonseca. Excelente, turma. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O porquê, o como e o contexto dos acontecimentos eram meros detalhes. E, assim, por muito tempo, a História foi contada, como uma sucessão de datas e acontecimentos desconexos, sem análise crítica ou relações causais. A história que tem sempre três versões, a minha, a sua e a verdadeira. O fato é que, Deodoro, tio de Hermes, este também marechal e depois presidente em 1910, deu um golpe que, quase deu errado e, por isso, quase foi preso pelo Xandão. Como deu certo, seguiu como ditador. Ele, que era considerado um militar exemplar, canalizou as aspirações do Exército por reconhecimento de sua dedicação à carreira, aliado às ideias positivistas difundidas por Benjamim Constant, Quintino Bocaiúva e Júlio de Castilho, que mais do que nomes de avenida eram amigos de Hermes, não o sobrinho, mas o irmão mais velho de Deodoro, que tinham o mesmo nome. E Deodoro, o mesmo que dois meses antes do golpe declarara publicamente “a monarquia: ruim com ela, pior sem ela”, cunhou a frase “Ordem e Progresso” em nossa bandeira. Isso porque se dizia amigo de Pedro II. ‘Mui amigo’. E o povo com isso? “O povo que se exploda”, diria o deputado Justus Veríssimo, se naquela época vivesse. A população era, em sua maioria, rural, analfabeta e excluída da vida pública. Mas, simpática à realeza. Quem gosta de miséria é rico, diria Joãozinho Trinta, que, se lá estivesse, seria estilista de Maria, a Louca, mãe de dom João VI, bisa de dom Pedro II. Pedro, que por seu lado também estava às voltas com doenças, passava de mês que não se envolvia com a política, deixando sua filha Izabel encarregada dos negócios de governo e estado. Assinando a Lei Aurea, ficou bem com o povão, mas mal com a elite escravagista. Golpe na certa. Família real no exílio e reis e rainhas, princesas e condes, ainda presentes no imaginário popular. Há os que fazem mais sucesso no Carnaval, como o Rei Momo e a Rainha da Bateria. O Rei Roberto Carlos, o Rei do Baião Luiz Gonzaga e o maior de todos, Rei Pelé. Eu já ajudei muito a empossar princesas e rainhas da primavera na escola. Não que eu seja monarquista, longe disso. Mas cá, também tenho amigos nobres, como o Carlos Conde, jornalista da mais fina lavra. Editor-chefe deste jornal por longo período, além de correspondente diplomático cobrindo mais de 80 países, um aristocrata das letras.