(Reprodução) The Dark Side of the Moon é um álbum icônico da banda inglesa Pink Floyd, lançado há 52 anos. Sua capa mostra um prisma translúcido que, ao receber um feixe de luz branca, o decompõe em um arco-íris — o fenômeno físico da dispersão. É ciência. Curioso é que, hoje, basta vestir uma camiseta com essa estampa para que muitos a associem ao movimento LGBTQIA+. Tirando quem reconhece a arte, quase ninguém enxerga a representação científica original. Não me espanta. Camisetas sempre mandaram mensagens, causaram furor, dividiram opiniões. A mais recente é a camisa número 2 da nossa seleção canarinho — virou polêmica nacional. Na mesma semana, foi preso o ex-presidente, famoso por usar camisetas com frases enquanto montava seu oásis para a Dinda. O que me espanta é como passamos a ver o País em apenas duas ou três cores. Vivemos uma ilusão de ótica, reflexo de um desapego às tradições que tentamos construir. Enquanto discutimos as camisetas alheias, esquecemos de nos reconhecer no próximo. Perdemos o senso de bem comum. Deixamos de investir no que realmente importa: educação, ciência, cultura, saúde, desenvolvimento. Se as escolhas pessoais não dizem respeito ao outro, tampouco deveria a cor da roupa. A camiseta pode ter todas as cores, especialmente quando carrega um orgulho nato. Quer ver? Basta sair às ruas de Santos e contar quantas pessoas usam camisetas dos 10KM Tribuna FM. São de todas as cores, de todos os anos. Representam mais que uma corrida: traduzem saúde, pertencimento, tradição, empreendedorismo local. Para mim, que sou de fora, é admirável ver como os santistas, além de tatuarem suas muretas, exibem no peito a marca de um evento que emociona e orgulha a cidade. Essa camiseta vai além do vestuário esportivo. Tendo corrido ou não, todo mundo quer ter. É símbolo. É hábito. Se a mureta é patrimônio local, por que não a camiseta também? Feliz é a sociedade que veste todas as cores da mesma camiseta — aquela que expressa o orgulho coletivo de viver em uma cidade com um dos melhores IDHs do Brasil. *Paulo Roberto Fiorotto Rodrigues Júnior. Advogado