(Divulgação) Foi na cidade de Santos que, no dia 5 de setembro de 1822, dom Pedro recebeu cartas de Portugal. Ficava claro que a situação se agravava e era necessária uma decisão sobre o futuro do Brasil. No dia 7 de setembro, às margens do Ipiranga, recebe uma carta final e declara nossa independência. Santos já era a principal porta de entrada do país. Veio a República e o ciclo do café. O comércio era intenso, assim como a imigração. Itália, Japão, Líbano, Alemanha. O Brasil era o país do futuro descrito por Zweig. Foi neste ambiente que, em 1939, foi aberto um novo café no centro da cidade. Nunca sabemos ao certo como um novo empreendimento “pega”, mas o fato inquestionável, testemunhado pelo tempo, é que o Café Carioca pegou. Apesar do nome, o café é paulista até a medula, incluindo as portas abertas para quem vem de fora, imigrantes e migrantes. Em frente à Prefeitura, já no ano de 2025 podemos tomar seu café forte no balcão, contemplando o movimento da cidade, a agitação de nosso tempo. Conheci o café num dia emblemático: o aniversário de uma das figuras históricas de Santos e do Brasil, o extraordinário José Bonifácio. Ele é tão importante que, no dia do seu aniversário, 13 de junho, a capital do estado é transferida simbolicamente para Santos. Pois neste dia tive como guia nosso poeta Raul, que me apresentou o café e contou várias histórias. Por ali passam os políticos de Santos e do Brasil, poetas como ele, escritores, jornalistas. Nas paredes do café há registros de gente como Mário Covas, José Serra, Ary Toledo, Hortência e tantos outros. Como dizem, quem vai a Santos e não vai no Café Carioca não esteve em Santos. No balcão conheci o Cocada, que trabalha ali há décadas. É nítido como ele tem noções de grandeza do lugar e seu papel como testemunha. “Só ver essas fotos, estive em várias!”, comenta, sorridente. Nesse dia tomei café e comi pão na chapa, como inúmeros fizeram antes de mim. Como era cedo, não experimentei o pastel. Bom que fica o desejo de voltar. Acredito que o tempo é o melhor juiz do que realmente importa. Ir no Café Carioca é sentir o peso da história, e entender o peso de nossa cultura, tão maltratada, mas ao mesmo tempo tão viva. Santos é um belo retrato de um país que precisa ser resgatado, e o Café Carioca é um símbolo de uma resistência. Saí caminhando do café com meus amigos Raul e Luiz, com a firme convicção que agora, enfim, conheço Santos. *Marcos Guerson júnior. superintendente do Instituto de Pesos e Medidas de São Paulo (Ipem)