Imagem ilustrativa (Freepik) Até na terra do saquê, ouvi um estrangeiro falar ‘caipirrinha’. Soava arrastado o que o australiano falou, após ouvir a voz de um brasileiro, subindo, sob as centenas de Toriis de Fushimi Inari Taisha, em Quioto. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Disse que adorou o Rio de Janeiro e que a caipirinha era feita de cachaça com limão. Cachaça, a aguardente obtida através da fermentação e destilação do caldo de cana, surgiu no Brasil, no século 16, com o cultivo da cana-de-açúcar. De tão popular, ela emprestou o seu nome para uma revolução no século 17, chegando a ser proibida. Após esse encontro internacional, meu colega de viagem, percebendo a minha admiração pela ‘marvada’, prometeu-me uma garrafa especial. Cada brasileiro tem a sua preferência e modo de degustá-la. Eu aprecio uma pequena dose da branquinha antes do almoço. Aguça o apetite. Outros gostam de oferecer, o primeiro gole, ao seu santo predileto. Há os que aproveitam um pouco mais, no copo americano, completando os dois dedos de medida, com o polegar e indicador em pé. Outros, mais exagerados, são conhecidos como cachaceiros. Os amantes da pinga, acreditam que ela, baseado em pesquisas científicas, oferece benefícios para saúde física e mental. A ingestão diária de uma dose dilata as veias e artérias, prevenindo coágulos, evitando acidentes vasculares cerebrais, tromboses e até o infarto. Melhora o raciocínio e diminui o risco de Alzheimer. Já, o excesso de consumo pode causar danos à saúde. A caninha é usada em vários drinks. É excelente acompanhamento para refeições, especialmente a feijoada. Torna o ambiente alegre, propiciando que seus consumidores revelem segredos e habilidades. Talvez, por um desses motivos ao receber o presente do meu amigo, em uma bela embalagem, a dita cuja não se fazia presente. Como bom consumidor, ao abrir a garrafa, o meu olfato não percebeu o aroma característico daquela cachaça especial. Fiquei surpreso, mesmo degustando-a, não tinha gosto algum! Quando lhe contei, ele achou que fosse brincadeira. Insistiu que, por ser um consumidor inveterado, o meu paladar não estava sensível para aquela delicada cachaça. Eu imaginei diferente. Por ela ser especial, talvez um amigo do alheio, com um faro apurado e fã da bebida, fez a troca do líquido branco e deixou, dentro da bela garrafa, o outro líquido que passarinho gosta de beber. O mistério ficará no ar. A única certeza é que, enquanto nos divertimos contando o caso, o sortudo degustador sorri relaxado, apreciando e buscando identificar a origem do tonel, na qual ela foi envelhecida.