(FreePik) No meio acadêmico, durante a avaliação da gestante, várias decisões influenciam na definição do parto, como a posição da placenta, a proporção da cabeça com o corpo do bebê, malformação genital ou a presença de tumores, gestações prévias e condições da própria gestante, como hipertensão. Por isso, é importante conhecer a gestante por meio do pré-natal, disponibilizado pelo Ministério da Saúde com consultas mensais, quinzenais e semanais em meio ao avançar da gestação. A cesárea consiste no processo de remover o bebê de forma cirúrgica, diferentemente do parto normal. Com as contrações uterinas esperadas, o bebê é acessado pelo abdômen, com corte de sete camadas, que devem ser costuradas e reparadas. Com isso, a gestante está consciente, sob anestesia nas costas, porém, sem sentir dor. A indicação deve ser discutida diretamente com o médico. Algumas complicações devem ser levadas em consideração, como um possível sangramento e intestino preso. Esses sinais e sintomas devem reduzir com o tempo, mas em caso de qualquer desconforto, o médico deve ser procurado. A prevalência geral de cesáreas é 21% em todo o mundo. Contudo, no Brasil, esse índice ficou em 57% no ano de 2021, bem mais da metade. Vale lembrar que o esperado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é 15%. Dessa forma, fica claro que precisamos ponderar e rever com cuidado em quantos desses casos, o procedimento foi realmente necessário, já que, pelo fato da cesárea ser uma cirurgia, temos riscos inerentes tanto ao processo anestésico quanto ao manuseio das camadas e da própria paciente. Existe uma classificação para descrever o perfil de pacientes, que são elegíveis para partos normais ou cesáreas. Ela é conhecida como classificação de Robson. Conta com dez grupos e evita a precipitação de procedimentos antes do trabalho de parto. Conclui-se que o Brasil é um país ‘cesarista’ e necessitamos de ações para conscientização e redução desse número, como a massagem nas costas durante o trabalho de parto, doulas (profissionais especializadas para a preparação do trabalho de parto), músicas e permitir à gestante dar à luz em qualquer posição, tornando-a protagonista deste momento incrível. Em ações que não são urgência ou emergência, cesáreas devem ser realizadas somente em casos específicos, como em risco fetal ou materno, mas por ser “prática” e não durando tantas horas em um parto normal, muitos profissionais as preferem, o que não é o ideal. *Salem Suhail El Khatib. Estudante do curso de Medicina da Universidade do Oeste Paulista, Campus Guarujá