Segundo especialistas, o Brasil crescerá 2,2% em 2024 e 2,1% em 2025 (Yuri Gripas/Agência Brasil) Nos últimos dias, reapareceu a crítica de que nós, brasileiros, reclamamos demais, inclusive quando o país estaria “indo bem”. A questão, porém, continua sendo: indo bem segundo quais dados? Um olhar para a história recente ajuda a esclarecer o ponto. Há cerca de 50 anos, vários países hoje admirados estavam muito atrás do Brasil em praticamente todos os indicadores relevantes. Isso não é opinião, mas informação registrada em fontes como FMI, Banco Mundial e IEA. O caso mais constrangedor é o da Coreia do Sul. Nos anos 1970, seu PIB per capita era inferior à metade do brasileiro; hoje, é cerca de três vezes maior. Enquanto eles lideram o PISA, nós seguimos firmemente estacionados nas últimas posições. O Chile, que enfrentava forte instabilidade política e econômica na época, hoje apresenta os melhores resultados educacionais da América Latina, maior renda per capita e mais anos de escolaridade do que o Brasil. Foi também o primeiro país da região a entrar na OCDE, enquanto nós... A China é outro caso didático. Nos anos 1970, era majoritariamente agrária e muito mais pobre que o Brasil, que já tinha indústria e urbanização relevantes. Hoje, cidades como Xangai e Pequim lideram rankings globais de educação, algo que, naquela época, soaria como ficção científica. O PIB per capita chinês ultrapassou o brasileiro por volta de 2019, sem pedir licença. A Polônia completa o quadro. Na década de 1970, vivia escassez generalizada. Atualmente, tem um PIB per capita cerca de duas vezes maior que o nosso e um sistema educacional comparável ao dos países mais avançados da Europa. Segundo especialistas, o sucesso desses países se apoiou em três pilares. Educação de qualidade com foco em aprendizado real, e não em diplomas decorativos. Abertura econômica e exportações de produtos de alto valor agregado. E investimentos robustos em infraestrutura e pesquisa, bem acima dos cerca de 16% do PIB que o Brasil insiste em manter. A ultrapassagem passou despercebida porque o Brasil crescia; cidades se modernizavam e carros nas ruas criavam a ilusão de progresso. Enquanto isso, outros países investiam silenciosamente em capital humano. Eles formavam engenheiros; nós festejávamos o trabalho braçal. Diante disso, fica o convite aos otimistas de plantão. Em quais indicadores, exatamente, o Brasil está indo bem? Vale responder com dados concretos. Narrativas ideológicas, infelizmente, não entram nas comparações internacionais. *William Horstmann. Engenheiro, ex-executivo e consultor