(Unsplash) ...Então, em tempos em que a verdade decidiu vestir-se como a mentira, o amor encontrou um dilema, tornou-se viajante em uma terra de espelhos. Cada reflexo que encontrava parecia prometer algo real, mas ao se aproximar, descobria que era apenas uma ilusão. Caminhava, confuso, entre corredores de promessas brilhantes, mas vazias, tentando encontrar sua essência perdida. Ele, que deveria ser puro e transparente, começou a carregar em si as cores da dúvida e do desengano. Onde antes havia confiança, surgiu a sombra do ceticismo. O mundo real, com suas complexidades e imperfeições, muitas vezes força os sentimentos a se moldarem de formas que não são naturais. Aquilo que deveria ser livre e genuíno parecia ter se tornado um jogo de equilíbrio entre a essência e as máscaras que éramos forçados a usar. O amor também pode ser manipulado e usado como bandeira, promessa, infidelidade, falsidade e mentira, mas raramente se concretiza na prática. Assim como discursos inflamados podem mascarar intenções ocultas, ele pode ser distorcido por interesses que não lhe pertencem. O desafio está em reconhecê-lo, despindo-o das ilusões que o envolvem e permitindo que resplandeça como antes. Não desapareceu; pelo contrário, assumiu formas que ora o confundiam, ora o deixavam inquieto. Entretanto, mesmo que temporariamente escondido, O amor verdadeiro persiste, puro e inabalável. Encontra maneiras de se expressar, mesmo que seja nos gestos mais singelos ou nas palavras mais discretas. Não se perdeu nem mudou. O que realmente mudou foi a habilidade da humanidade de percebê-lo em meio às ilusões e, talvez, amor e humanidade, aguardando um momento de clareza, um instante em que a verdade poderá, finalmente, desvencilhar-se da mentira. Há esperança, pois, mesmo em uma terra de espelhos, sempre há um reflexo que desvenda a verdade. Pode ser distorcido, mas nunca destruído. E quando, enfim, encontrar o seu caminho, desfará ilusões e irradiará uma luz que nenhuma máscara conseguirá ocultar e nessa caminhada entre reflexos e disfarces, algo inesperado acontecerá. Eu o encontrei, sim, em uma fenda nos espelhos, uma rachadura que revelava o que existia além das ilusões. Lá estava o amor, sem adornos, sem máscaras, tão puro quanto sempre foi. Não era perfeito porque perfeição nunca foi seu propósito, era humano, vivo, carregando consigo as marcas de seu próprio percurso, marcas que contavam histórias de dores e alegrias, de desafios enfrentados e superados e lembrem-se: o amor é onipotente, onisciente e onipresente, transcendendo o tempo e o espaço, preenchendo cada canto da existência. Ah! O amor... tão misterioso, tão poderoso, sempre capaz de transformar e salvar. *Escritor, ativista cultural e diretor de Relações Públicas da Contemporânea – Projetos Culturais