Imagem ilustrativa (Freepik) Dizem que apressado come cru; e não é só na cozinha. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É na vida. Na conversa apressada, no afeto atropelado, no silêncio ignorado. A pressa demais faz a gente mastigar mal, entender pela metade e perder o sabor das coisas. Engole sem sentir. Corre tanto que esquece pra onde estava indo. Não estou dizendo que ‘quem espera sempre alcança’. Esperar demais também cansa. Nem que ‘Deus ajuda quem cedo madruga’ — conheço madrugador que continua esperando por milagre. A verdade é que a semeadura é opcional, mas a colheita... ah, essa é certa. Só que, convenhamos: melhor é uma mão cheia com descanso do que as duas cheias de trabalho e aflição de espírito. Trabalhar é digno, claro, mas exaustão não é medalha. Há dias em que descansar é mais revolucionário que produzir. E tem hora em que um copo gelado no boteco, entre amigos, vale mais que mil reuniões. É lá que a vida respira, na conversa solta, na risada boba, no problema que a gente decide adiar. Um brinde à sabedoria popular! Escrever, para mim, é andar devagar com as palavras. escolher com calma o que dizer e o que deixar quieto; com caneta, teclado ou na base do gogó: quem tem boca vai a Roma. Quem vai devagar, vai com saúde. E vai longe. O tempo não volta. Mas também não precisa nos empurrar. Se a gente aprende a escutar, ele ensina. Ensina que a saúde vale mais do que pressa, que um bom livro pode salvar um dia ruim, que rir continua sendo um gesto de resistência. Por isso, mais vale prevenir que remediar. Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa. E, se houver um bom livro por perto, melhor ainda. Porque quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê. E um livro, ah, um livro nunca trai. Faz rir, chorar ou os dois ao mesmo tempo. E rir ainda é o melhor remédio. Mas, veja: não é porque eu rio que tudo é piada. O brasileiro tem riso frouxo, sim, mas tem memória forte e fé no que faz. No fim das contas, a vida é um jogo que só acaba quando termina. Não adianta correr, não adianta adiar. Cada ditado tem um fundo de verdade, mesmo quando exagera. Vá no seu tempo. Porque para viver não é só chegar; é sentir o caminho. É saber que o relógio gira, mas a gente não precisa correr atrás dos ponteiros. O segredo? Nem pressa, nem preguiça. Apenas pisar firme, olhar em volta e, quando a hora bater, estar pronto para sorrir, sem arrependimentos. Porque, no fim, o que fica não é o que a gente correu. É o que a gente viveu. E isso, ah, isso não se come cru.