(Fernando Frazão/Agência Brasil) A recente operação realizada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro suscita questionamentos políticos, eleitorais, táticos e humanitários. Aos que concordam com a política de endurecimento penal, a operação representa a atuação firme do Estado na defesa de seu território e população. Aos contrários, o resultado foi uma chacina sem precedentes. Do ponto de vista eleitoral, mesmo com tanta antecedência (pouco menos de um ano para as eleições), é nítida a aprovação, não apenas à operação, como ao governador Cláudio Castro. Em três pesquisas, a maioria da população concorda que “A operação foi um sucesso”. Na parte tática, o paredão montado pelo Bope e a ação das forças policiais, composta por 2.500 agentes, impediu a evasão dos membros da organização criminosa, retirou o conflito da base da comunidade e o levou para o interior da mata, com o objetivo de proteger os inocentes do conflito. A atuação, diante de uma chuva contínua de tiros e drones com bombas, foi heroica, a fim de cumprir mandados de prisão e restaurar a ordem nas comunidades do Alemão e da Penha. Por fim, os mortos na ação, em sua maioria tinham ficha criminal, portanto, eram criminosos. Do ponto de vista humanitário, se trata da maior chacina da história do país e, de longe, o maior número de mortos no Estado do Rio de Janeiro, após a operação do Jacarezinho em 2021 que vitimou 21 pessoas. Ademais, a incursão das forças policiais não resolveu o problema, pois, a facção segue no mesmo local, inata. A prisão dos líderes não se concretizou, nenhum dos mortos estava na denúncia feita pelo Ministério Público, a apreensão de quase uma centena de fuzis não irá desarticular a operação da facção e a (in) segurança continuará, a população também sabe disso e, inclusive, 74% temem uma retaliação, como mostra uma das pesquisas. Algo deveria ser feito, isso é incontestável. No entanto, a violência e a supressão de direitos não são a resposta para a crise de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Os complexos da Penha e do Alemão distribuem 10 toneladas de drogas por mês e são o principal núcleo econômico da facção carioca, portanto, desenvolver estratégias para impedir a circulação das drogas, bem como para rastrear o caminho do lucro e apreender o dinheiro ilícito através de cooperação técnica e serviços de inteligência integrados entre governo estadual e federal com auxílio da Polícia Federal são a alternativa mais efetiva, exitosa, estratégica e que produzirá efeito prático concreto no caminho para o Estado do Rio de Janeiro ter, efetivamente, mais segurança à sua população. *Antonio Gonçalves é advogado criminalista.