(Reprodução/X) Na pequena cidade de Lindos, na costa leste da Ilha de Rodes, na Grécia, de onde se pode observar o azul celeste do Mar Egeu, encontrava-se esculpida na pedra bruta uma escultura em mármore de Paros, com 5,57 metros de altura, contendo a deusa Nike (em grego, Níke ou Niké – Vitória), filha de Zeus, na mitologia grega, “conhecida por sua sabedoria, estratégia em batalha, e habilidades artesanais, sendo frequentemente associada à justiça e às artes”. A escultura, datada de 190 a.C., encontra atualmente exposta na escadaria Daru, no Museu do Louvre, em Paris, pois foi retirada do seu nicho original após ser “redescoberta” em 1863, nas ruínas do Santuário dos Grandes Deuses, na Ilha de Samotrácia, próxima à Ilha de Rodes. O cenário deslumbrante da Ilha de Rodes foi escolhido para compor as cenas de batalhas do filme Os Canhões de Navarone, reproduzindo o poderio alemão sobre os mares da Grécia, na Segunda Guerra Mundial, impedindo a saída das tropas britânicas de uma Ilha de Samotrácia. O filme foi lançado no dia 28 de abril de 1961, na Inglaterra, e ganhou o Oscar de Melhores Efeitos Visuais, explorando as chances mínimas dos ingleses enfrentarem um mar tempestuoso visando alcançar a colina da ilha fictícia de Navarone, numa investida frustrada com o objetivo de destruir os canhões alemães. Mas, o que mais se destaca na exploração da imagem é o seu uso como logomarca da empresa Nike, por meio de um símbolo estilizado, reproduzindo a escultura da deusa, deitada e sem a cabeça, assemelhando-se a um “V” de vitória, estilizado. A retirada do seu nicho pelos franceses, para expô-la no Museu de Louvre, é considerada pelos gregos como o maior “roubo da história” e, na esperança de vê-la de volta à Ilha de Rodes, eles mantêm um santuário vazio, próximo à escadaria de acesso ao topo da Península de Lindos, construído para receber a estátua de volta, mas os franceses não aceitam os pedidos para devolvê-la à Grécia. *Elcio Rogerio Secomandi. Professor emérito da UniSantos, membro da Academia Santista de Letras e do Instituto de Geografia e História Militar do Brasil