(Reprodução) Há 33 anos, por ironia, conheci José Bonifácio no exterior, mais precisamente em Nova Iorque, no Bryant Park, junto à Biblioteca Central. Após estudar sua vida, tivemos a ousadia, pois sou psicólogo e não historiador, de fundar em Santos com o amigo Francisco Diniz, que já partiu para o Oriente Eterno, o Movimento Pró-Memória de José Bonifácio! Tivemos a adesão plena da sociedade civil organizada: Rotary, Lyons, Maçonaria, Soroptimistas e Universidades. Foram muitas as conquistas. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conseguimos que fossem criadas leis em nível municipal, estadual e leis federais, que o tornaram herói nacional e Patrono da Independência. Com isso, achávamos que iríamos divulgar a vida do grande Bonifácio! Ledo engano! As frustrações têm sido imensas! As leis foram aprovadas por unanimidade, mas a sua execução carece do empenho dos seus governantes. Nesta solenidade de 13 de junho de 2025, quando se comemora o 262º aniversário do herói nacional, gostaria de solicitar ao governador Tarcísio de Freitas o seu compromisso de cumprir em sua totalidade a Lei Estadual 15.049, de 2013, que cria o Programa Memória de José Bonifácio. Nesse programa, as secretarias de Educação e Cultura, junto às universidades e escolas estaduais, incentivarão a criação de seminários, conferências e concursos visando pesquisas e estudos sobre José Bonifácio nas suas diversas vertentes: Ecologia e Meio Ambiente, Direitos Humanos, Geologia e Mineralogia, Cidadania e Civismo e o seu percurso literário. Com essas medidas, o Estado de São Paulo poderia fazer cumprir junto ao Governo Federal as leis que o tornaram herói e Patrono da Independência, comemorando aqui, neste Pantheon dos Andradas, o início da solenidade nacional da nossa Independência, porque, de fato, é aqui que está o seu Patrono. E esse ato propiciaria a divulgação para todo o Brasil! Abraçar a causa bonifaciana é honrar um paulista nascido em Santos, cujo nome é destaque mundial até os dias de hoje. Isso não é lenda, foi a constatação que obtivemos por nossa ida para França e Portugal no ano passado, onde ele é altamente respeitado pelas elites daqueles países como cientista e humanista. Em solo francês, foi honrado como o defensor do Iluminismo, ideal da Revolução Francesa, tendo lhe custado ser banido e exilado em Bordeaux. Aqui no Brasil, defendeu na 1ª Constituição de 1824 os princípios do Iluminismo, dentre os quais, o que julgamos mais importante - a educação básica em nível de excelência. Os maçons, ao longo da nossa história, ocupavam as Secretarias de Educação para fazerem valer esse princípio defendido por Bonifácio. Hoje, na falta dessa defesa, constatamos que a partir da década de 1960 houve a derrocada do ensino público. Na nossa cidade, as escolas estaduais Canadá, Luiza Macuco e Primo Ferreira se rivalizavam com as melhores escolas particulares, sendo referência dessa excelência educacional. Finalizando, gostaria de fazer mais um apelo, qual seja, levantar a excelência do ensino público, coluna mestra para a consolidação da nossa democracia. Dar direito a todos os paulistas, ricos e pobres, de terem a partir da educação a oportunidade de crescerem e desfrutarem das riquezas desta grande Nação! * Arlindo Salgueiro. Psicólogo, psicoterapeuta e presidente do Movimento Pró-Memória de José Bonifácio