(FreePik) Recente publicação no jornal Valor trata de importante pesquisa sobre o uso de inteligência artificial (IA) e a educação. Em sua terceira edição, o estudo, elaborado pela Associação Nova Escola, revela que “a IA começa a chegar às salas de aulas brasileiras” e destaca, também, que uma boa escola precisa reconhecer “que é incontornável o uso da inteligência artificial generativa”. Estamos diante de uma revolução inédita em toda a história da humanidade: a revolução da IA, com mudanças severas em diversas áreas da atividade humana. Posso dizer, sem exageros, que as áreas de maior impacto estão associadas à geração do conhecimento, embora os agentes de IA já reproduzam atividades automatizadas e tarefas que eliminam parte da carga digital. A gerente da área de Future of Work da Microsoft, Colette Stallbaumer, em entrevista, dá destaque às habilidades necessárias aos profissionais para lidar com não humanos, os agentes de IA. Bill Gates, preocupado com os avanços e limites desta tecnologia e mencionando o “salto” da atual IA generativa para a inteligência artificial geral, uma categoria de IA capaz de emular o pensamento humano, reacendeu o conceito de metacognição, isto é, a capacidade destas máquinas pensarem sobre o próprio pensamento. É a IA como portadora do pensamento reflexivo. Está na hora de buscar um inovador modelo de educação que possa estimular o pensamento reflexivo nos “novos” da escola básica e nos “maduros” em nível superior. Um dos filósofos mais influentes do século 20 e referência na corrente filosófica conhecida como pragmatismo, John Dewey, foi crítico severo da escola tradicional e propagador do pensamento reflexivo, conceito central em sua pedagogia. O pensamento reflexivo é um processo mental ativo que habilita o indivíduo a examinar seus próprios valores, crenças, pensamentos, conhecimentos, ações... Em síntese, é o ato de pensar sobre o próprio pensamento, é portanto a metacognição. Neste “lugar de fala”, deixo parte da minha experiência de professor com turmas de último ano, na área de sistemas de informação, em nível universitário. No primeiro contato, os educandos são convidados a “falarem” deles próprios: suas histórias, expectativas de vida, pontos fortes e fracos e visão de mundo. Assim, os alunos mergulham em si mesmos. E eu, como vou ensinar algo para alguém se não conheço esse alguém? Nos avanços da IA precisamos, urgentemente, de educadores capazes de investir conhecimentos sobre a condição humana, sobre si, sobre seus alunos, incluindo o estado do mundo e, se for preciso, utilizando os recursos da IA. O foco do trabalho docente, no contraponto com as IAs, incluindo as mais avançadas, deve ser ajudar os estudantes a pensar, saber de si, julgar e agir em favor de si mesmos e em favor do mundo que está aí. Um mundo que está sendo impactado pelos avanços das tecnologias de informação. “Somos todos seres pensantes e precisamos pensar sobre o que estamos fazendo” - Hannah Arendt (2011). *Alfredo Cordella. Professor da Unisanta