(Unsplash) Nos manuais de autoajuda, ou em livros de aconselhamento empresarial, são destacados valores considerados essenciais para a realização e o sucesso individual. São vários: entre outros, a determinação, o esforço, a ousadia e o talento. Talento, em particular, recebe atenção especial: quando não é inato, ele pode ser desenvolvido mediante um sem número de dicas e truques. Há outra palavra mágica, sempre repetida: a resiliência. Quando a escuto, lembro-me das aulas de Resistência dos Materiais no curso de Engenharia da Escola Politécnica da USP. O conceito ali estudado vinha da física: a capacidade de um material absorver energia quando é deformado elasticamente e, em seguida, liberá-la ao retornar à sua forma original. O uso indiscriminado atual transforma a resiliência em resistência: na vida temos que enfrentar dificuldades e saber superá-las, sem nos abatermos. O cardápio é vasto. Para que se consiga reconhecimento e ascensão profissional, é preciso combinar tudo isso. Ser capaz de discernir possibilidades e alternativas, com acuidade e bom senso; não vacilar diante dos inevitáveis problemas; desenvolver habilidades e talentos, sempre; não temer os desafios; não ter medo de correr riscos em situações inusitadas e inesperadas; ser, enfim, um ser humano superior todos os dias e horas. É claro que ninguém é assim. Somos fracos, vacilantes, temos dúvidas e contradições. Mas o mundo corporativo procura fazer de nós super-homens ou supermulheres, se queremos, de fato, triunfar no ambiente de trabalho. E isso tem um preço, que pode ser percebido no esgotamento físico ou mental, e muitas vezes na perda de valores. A busca do sucesso é, na maioria das vezes, autêntico vale-tudo em que os fins justificam os meios, e onde escalar sobre os outros é a regra dominante. Há, porém, em todo esse roteiro rumo ao êxito, uma característica não muito lembrada ou valorizada, talvez porque não esteja revestida da aura de poder ou dominação. Não remete à ousadia, nem mesmo à criatividade, sempre exaltada, ou à afirmação do empreendedorismo, fundamental para quem deseja subir na vida. Refiro-me à simples, trivial e desprezada persistência. Noto que as pessoas não persistem nas suas tarefas, cobranças e atividades. Mandam mensagens por WhatsApp, já que ninguém mais lê e-mails, sem jamais fazer algo simples e óbvio: falar com os outros. E, pior, não cobram respostas (afinal, já fiz a minha parte, certo?). Quando surgem dificuldades, que exigem paciência e capacidade de buscar soluções, logo desistem e esquecem-se delas. Esperam que outros façam o que elas não fazem, e limitam-se, quando muito, a lamentar. A roda gira, e outros assuntos irão ocupar a atenção. E muitas coisas importantes ficam pelo caminho, de modo inevitável. Mais do que resilientes, ousados e criativos, sugiro aos empreendedores de hoje, tão preocupados com o sucesso: sejam persistentes. *Alcindo Gonçalves. Engenheiro, cientista político, professor da Universidade Católica de Santos e responsável pela metodologia e RI do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT)