(Vanessa Rodrigues/AT) Neste 28 de abril, Santos comemora 116 anos da implantação do sistema de bondes elétricos, um marco no desenvolvimento da mobilidade urbana no Brasil. A trajetória começa em 1901, com a Ferro-Carril Santista, que iniciou a construção da infraestrutura, mas abandona o projeto devido a dificuldades financeiras. Foi em 20 de fevereiro de 1904 que a empresa City of Santos Improvements Company assumiu a operação dos serviços de gás, água, eletricidade e, claro, os bondes elétricos. Cinco anos depois, em 1909, a cidade viu a inauguração oficial do sistema com 62 bondes de passageiros e dez veículos de apoio, adquiridos da empresa Hurst & Nelson. Naquele período, a tecnologia dos bondes santistas representava o que havia de melhor em transporte. Os veículos operavam nos dois sentidos e tinham sistemas de segurança como freios de emergência e salva-vidas. Entre 1919 e 1942 houve a fabricação de bondes nas instalações da CSIC (atual CET-Santos), com a produção de 200 veículos entre modelos elétricos, reboques e carros de serviço. No ano de 1935, houve o lançamento do bonde articulado, um modelo para 90 passageiros, que trazia o conceito de articulação central, utilizado pelos bondes europeus a partir da década de 1950. Entretanto, após a Segunda Guerra Mundial, os sistemas de bondes entram em declínio, e Santos não foi exceção. Em 1952, a SMTC (Serviço Municipal de Transportes Coletivos) assumiu a operação dos bondes e, com isso, decidiu construir bondes com carroçarias fechadas, inspirados no modelo “camarão” de São Paulo, na tentativa de reduzir a evasão de renda do sistema. No entanto, eles não trouxeram inovações em conforto e tecnologia e os bondes encerram sua operação em 28 de fevereiro de 1971. Uma linha incipiente voltaria à ativa em 1984, operando perto da Igreja do Embaré. Embora fosse desativada precocemente em 1986, a experiência resultou na criação da linha turística de bondes em 2000, atualmente com cinco bondes originais preservados, incluindo um da Hurst & Nelson, fabricado em 1912. Assim como os antigos bondes, o VLT, que já opera nas ruas de Santos, representa o que há de mais moderno em termos de eficiência e conforto no transporte sobre trilhos, mantendo Santos na vanguarda do transporte público. Neste 116º aniversário, a história dos bondes elétricos em Santos é um lembrete da vocação da cidade em relação à qualidade no transporte público. Passado e presente unidos na evolução contínua do setor. * Coordenador da equipe de restauro e manutenção de bondes da CET-Santos