(Rodrigo Nardelli/ TV Tribuna) Depois de uma imersão em automação e grandes terminais na Coreia do Sul, em 2024, o mergulho nos portos de Seattle, Tacoma, Everett (no estado de Washington) e Oakland (estado da Califórnia), na Missão Internacional Porto & Mar 2025, nos Estados Unidos, nos trouxe outros aprendizados. Assim como no Brasil, o modelo de exploração dos portos americanos segue a cartilha do Landlord, sem as nossas jabuticabas e com autonomia plena das administrações portuárias. Quando questionava como se davam as decisões e as interferências das esferas políticas, a resposta era sempre a mesma: “We are our own government”. Não há interferência. Em Oklahoma, a exploração de um terminal de contêineres não deu certo, houve a devolução/rescisão do contrato e a área está sendo redirecionada para um terminal de grãos. Simples assim. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Faço uma inflexão para o Projeto de Lei (PL) 733/2025. Embora haja um louvável esforço no texto proposto para dar maior autonomia às autoridades portuárias, elas continuam submetidas, sobretudo, à agência reguladora. Já perdi as esperanças com a administração pública portuária brasileira, mas a mudança do marco discutida tem a obrigação de fazer uma verdadeira tentativa de entregar a gestão plena às Autoridades Portuárias. De volta aos portos americanos, eles estão muito vinculados às regiões (condados), que elegem seus comissários, definem os rumos dos portos, que são executados por uma diretoria executiva. O porto acaba tendo a hinterlândia limitada, por questões bairristas (regionais) ou por impedir a movimentação de determinadas mercadorias (como carvão ou mesmo grãos), com potencial de gerar externalidades para as populações locais – que pressionam em seus comissários. O porto é, de fato, regional. Essa característica e a integração com a população são muito marcantes. Todos os portos citados são pequenos (quando comparados ao de Santos), mas possuem uma importância local enorme pela geração de empregos e impostos, ou mesmo por reunir a comunidade em eventos, com destaque para Everett, um porto dedicado às operações da Boeing. Eles têm áreas reservadas para significativas marinas, e o Porto de Seattle possui uma grande área para as embarcações pesqueiras, que se dedicam à pesca no Alasca, e abastecem os mercados e economia local. A relação porto-cidade (seria melhor região) não é uma questão, é natural – não precisa de lei. Nenhum deles tem áreas de lazer no meio das operações, como o mal pensado Porto Valongo, mas o waterfront das cidades são pontos turísticos, com inúmeras atracações e restaurantes. O Porto de Seattle possui dois terminais de cruzeiros, com uma movimentação robusta. Logisticamente, vale destacar que, a despeito do tamanho e capacidade operacional, todos os portos são conectados por ferrovias que oferecem vagões double stack para o transporte de contêineres. No entanto, o que mais me impressionou nos portos visitados foi avançado e desenvolvido compromisso com a sustentabilidade e descarbonização. Em Seattle, o Porto hospeda um hub de inovação – Washington Maritime Blue - voltado para o desenvolvimento de negócios, tecnologias e práticas que contribuam para uma economia sustentável. Ele reúne e conecta as indústrias com foco em inovação sustentável. Como exemplos de iniciativas gestadas estão o Quiet Sound, para reduzir o impacto sonoro dos grandes pesqueiros e embarcações na fauna marinha, e a criação do Green Corridor, com os portos da Coreia do Sul. Em Oakland, a frota de caminhões roda com hidrogênio, que tem um local de abastecimento dentro do Porto. Todos os equipamentos portuários já são movidos a energia elétrica. A meta que era para ser atingida em 2030, já está 98% cumprida em 2025. No embalo de um dos maiores hits da icônica banda de Seattle, que dá o título desse artigo, a Missão Internacional Porto & Mar rejuvenesceu nossos espíritos!