(Adobe Stock) Como acompanho de perto as transformações no setor marítimo e portuário, percebo que estamos vivendo mudanças profundas, impulsionadas por sustentabilidade e tecnologia. Trabalhar ou observar esse setor é como navegar em mares agitados, com ventos favoráveis das inovações tecnológicas e correntes desafiadoras das exigências ambientais e custos associados. Iniciativas como o Prêmio Ecobrasil, que em 2024 recebeu um número recorde de 34 inscrições de entidades dos setores portuário, naval e de marinha mercante, e o Pacto da Sustentabilidade do Ministério de Portos e Aeroportos, com adesão de mais de 30 empresas, mostram o compromisso do Brasil com práticas mais verdes. Tecnologias como os motores a metanol da Maersk sinalizam o futuro. Minhas reflexões sobre esse cenário dinâmico revelam um setor em plena evolução, mas com desafios. A sustentabilidade deixou de ser escolha para se tornar exigência. O setor marítimo, apontado como responsável por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, enfrenta metas ambiciosas da Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês), como reduzir emissões em 30% até 2030 e alcançar emissões líquidas zero até 2050. No Brasil, o Pacto da Sustentabilidade reflete um esforço coletivo, enquanto o Ecobrasil se destaca como um termômetro do engajamento das empresas. Contudo, a transição para combustíveis mais limpos, como biodiesel, etanol e metanol, exige investimentos pesados em infraestrutura e adaptação de frotas. O Brasil, com sua expertise em biocombustíveis, tem uma vantagem competitiva, mas enfrenta barreiras tecnológicas, como o desenvolvimento de motores adequados e a garantia de abastecimento global. O sucesso, acredito, depende de colaboração entre governo, empresas e centros de pesquisa. Se a sustentabilidade é o destino, a tecnologia é a bússola. Minha experiência no setor me convence de que muitas inovações estão redefinindo a eficiência operacional. São empolgantes, mas a adoção no Brasil é lenta, muitas vezes por falta de competição ou ineficiências na gestão pública. Um marco inspirador é a iniciativa da Maersk, que está introduzindo 12 porta-contêineres movidos a metanol, um combustível que pode ser produzido de forma renovável, reduzindo significativamente as emissões. A empresa não apenas atende às metas da IMO, mas lidera a descarbonização, mostrando que inovação e sustentabilidade podem coexistir. Ainda assim, a infraestrutura para abastecimento de metanol é limitada, e os custos de adaptação são altos. Apesar dos avanços, os desafios persistem. A modernização dos marcos regulatórios, a melhoria dos acessos portuários e a capacitação profissional são questões urgentes. A disparidade tecnológica entre portos brasileiros e internacionais, como os da Holanda e Bélgica, cria obstáculos à competitividade. Esses países mostram que a integração de tecnologia e logística é o caminho, mas o Brasil precisa superar lacunas em infraestrutura e investimento. Como apaixonado pelo setor, acredito que o futuro depende de colaboração. Iniciativas como o Pacto da Sustentabilidade e o Ecobrasil são passos na direção certa, mas precisamos de mais: investir em educação, fomentar parcerias internacionais e priorizar a inovação são essenciais para que o Brasil se destaque na economia azul. Navegar pelo setor marítimo e portuário em 2025 é desafiador, mas empolgante. A sustentabilidade nos obriga a repensar práticas antigas, enquanto a tecnologia nos dá ferramentas para um futuro mais eficiente e verde. Testemunhar empresas brasileiras aderindo ao Pacto da Sustentabilidade, se destacando no Ecobrasil e acompanhando gigantes como a Maersk, que abrem novos horizontes com o metanol, me enche de orgulho. O mar à frente é vasto, mas com inovação, colaboração e compromisso estamos no rumo certo para um setor mais sustentável e competitivo. *Engenheiro de computação, sócio-fundador da T2S, professor e pesquisador na Fatec Rubens Lara