(Rovena Rosa/Agência Brasil) Sou bombardeado diariamente com anúncios de soluções de “gêmeos digitais” para operações portuárias nas redes sociais. São sistemas que têm por objetivo principal prover uma representação virtual do pátio, prometendo refletir o estado com precisão e em tempo real. Não é algo novo. Na verdade, trata-se de uma proposta bastante antiga. As ofertas são sedutoras e é realmente encantador ver um terminal tridimensional na tela, idêntico ao que podemos ver com os próprios olhos. Mas, se você prestar atenção e refletir sobre essa ideia, pode chegar à mesma conclusão que eu: trata-se de uma solução com pouco valor prático. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Pare para pensar: realmente precisamos de um gêmeo digital para o pátio que está bem ali, diante dos nossos olhos? Será que essa representação virtual traz benefícios práticos ou é apenas mais um daqueles modismos tecnológicos que encantam pela aparência, mas entregam pouco em substância? Não me entendam mal. Adoro tecnologia e acredito no seu poder transformador. Mas também acredito em ser pragmático. Implementar um gêmeo digital é caro, complexo e exige uma manutenção constante. Sem contar que a confiabilidade pode ser, digamos, questionável. Afinal, já temos sistemas que monitoram a posição das cargas – ou pelo menos deveriam. Pense comigo: não seria mais simples e eficaz investir em um conjunto de câmeras de segurança bem distribuídas? Com uma interface acessível, poderíamos monitorar tudo em tempo real, com imagens reais, sem a necessidade de criar um mundo virtual paralelo. Ou melhor ainda, que tal utilizar drones autônomos pré-programados para sobrevoar o pátio periodicamente? Imagine receber atualizações visuais da situação das cargas e equipamentos, detectar problemas rapidamente e ainda impressionar visitantes com a inovação. E tudo isso por uma fração do custo e complexidade de um gêmeo digital. Claro, não posso negar que os gêmeos digitais têm seu charme. Eles impressionam clientes e parceiros, dão aquela sensação de estarmos na vanguarda tecnológica. É como ter um carro esportivo na garagem – nem sempre é prático, mas certamente chama a atenção. Mas quando colocamos na balança, é essencial avaliar o retorno sobre o investimento. Será que estamos buscando soluções para problemas reais ou apenas nos encantando com o brilho das novidades? A decisão entre investir em um gêmeo digital, aprimorar o sistema de segurança ou adotar drones não é simples. Depende de inúmeros fatores: necessidades operacionais, orçamento, objetivos estratégicos e até questões culturais da organização. E é aqui que entra a importância de uma abordagem estruturada de transformação digital. Não se trata apenas de adotar a tecnologia mais recente, mas de entender profundamente como ela se alinha aos objetivos do negócio. Às vezes, a solução mais eficaz não é a mais glamourosa, mas a que traz resultados concretos. Uma consultoria especializada pode ajudar a navegar por essas decisões, analisando não apenas o aspecto financeiro, mas também operacional e até social. Afinal, tecnologia por si só não resolve problemas – é o uso estratégico e consciente dela que faz a diferença. Então, da próxima vez que alguém aparecer empolgado com a última tendência tecnológica, vale a pena parar, respirar fundo e perguntar: isso realmente atende às nossas necessidades? Ou estamos apenas nos deixando levar pelo encantamento do novo? No fim das contas, o que importa é fazer escolhas informadas e alinhadas com nossos objetivos de longo prazo. E talvez, apenas talvez, aquele drone sobrevoando o pátio seja a inovação prática que estávamos procurando.