Plataformas low-code: solução para a escassez de profissionais?

Empresas e departamentos de TI travam incansável batalha em busca de mais agilidade

Por: Ricardo Pupo Larguesa  -  21/10/22  -  06:37
De acordo com a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), projeção é de uma demanda de 79 mil profissionais até 2025
De acordo com a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), projeção é de uma demanda de 79 mil profissionais até 2025   Foto: Adobe Stock

A escassez de profissionais na área de TI, especialmente de desenvolvimento de sistemas, não é um problema novo. Como consequências óbvias, vivemos o inflacionamento dos salários e a redução da qualidade profissional. A demanda já era alta e aumentou ainda mais durante a pandemia, que ainda promoveu uma adequação cambial aos salários, uma vez que os profissionais passaram a não ter mais fronteiras com o trabalho remoto. De acordo com um estudo da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), a projeção é de uma demanda de 79 mil profissionais até 2025, o que significaria a capacitação de 159,4 mil por ano. Porém, apenas 53 mil pessoas são formadas anualmente para a área.


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Com isso, empresas e departamentos de TI travam uma incansável batalha em busca de mais agilidade. Infelizmente, perde-se essa batalha para os processos de desenvolvimento cada vez mais complexos e compartimentalizados. É preciso uma solução. Afinal, o mercado precisa de sistemas. E parece que esta solução será a adoção de plataformas low-code ou no-code. Plataformas low-code são sistemas que permitem desenvolver um sistema utilizando um conjunto de interfaces prontas e programando apenas detalhes não contemplados por componentes genéricos. Enquanto que plataformas no-code caracterizam-se por sistemas que permitem desenvolver softwares exclusivamente por meio de uma interface gráfica que permite literalmente “montar” aplicações com componentes visuais intercambiáveis.


Essas plataformas reduzem ou eliminam a necessidade de programadores. Analistas com conhecimento mais abstrato em soluções de software conseguem desenvolver nessas plataformas com muita facilidade e agilidade. Mas é claro que não é tão simples como parece. A promessa é muito atraente, mas há desvantagens. Há limitações óbvias de design, uma vez que o “desenvolvedor” fica à mercê de componentes gráficos genéricos e pouco customizáveis. Também há dificuldades de integração porque em ambientes complexos há uma diversidade muito grande de formatos e protocolos de comunicação entre os sistemas. E é literalmente impossível fornecer todas as possibilidades sem a versatilidade que uma linguagem de programação traz como interface de desenvolvimento de um sistema.


Porém, estamos falando de aplicações de negócio, não de jogos ou plataformas elaboradas. Para desenvolver aplicações com telas de consulta ou entrada de dados, essas soluções low-code e no-code podem atender com mais agilidade, e mesmo que as integrações precisem de código a empresa consegue reduzir o volume. Há muitas opções no mercado. Dentre as plataformas no-code, destacam-se Bubble, Pipefy, FlutterFlow, AppSheet etc. Porém, existem outras dezenas. Dentre as plataformas low-code, destacam-se Mendix, OutSystems, Appian e outras tantas também.


O problema é que são muitas opções e com características bem distintas. A empresa ou departamento precisa analisá-las de acordo com sua realidade para encontrar a combinação mais otimizada. Mas essa parece ser a única solução capaz de fazer a TI voltar a entregar com velocidade e qualidade.


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna. As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.
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